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19/09/2014

VEIA E VENTANIA e LITERATURA PERIFÉRICA NAS BIBLIOTECAS DE SÃO PAULO e  MESQUITEIROS convidam para ENCONTRO LITERÁRIO com Daniel Viana, autor de “100 CONTOS POR 10 CONTOS TROCADOS” e, na sequência,  SARAUZIM – SARAU DOS MESQUITEIROS com alunos da Escola Estadual do Jardim Verônia. A atividade gratuita será sábado, 20 de setembro, das 13hs. às 16 horas.

A BIBLIOTECA MUNICIPAL RUBENS BORBA DE MORAIS fica na RUA SAMPEI SATTO – 440 – ERMELINO MATARAZZO
(200 METROS DA ESTAÇÃO COM. ERMELINO – TREM)

REALIZAÇÃO
SISTEMA MUNICIPAL DE BIBLIOTECAS
SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
MESQUITEIROS

APOIO
EDIÇÕES UM POR TODOS
RACHÃO POÉTICO

Saiba mais sobre o autor em entrevista concedida à Miguel Arcanjo Prado para o Portal R7:

“Sabe aquela história de que o pai foi até a esquina comprar cigarros e não mais voltou? Então, a diferença é que ele foi até a esquina e fugiu com o dono do bar.”

São textos como este, curtos, diretos e repletos de uma visão aguçada para o cotidiano da vida que compõem o primeiro livro do escritor mineiro Daniel Viana, 100 Contos por 10 Contos Trocados [Edição por Guardanapos Poéticos e Programa Vai 2013]. O lançamento da obra será na noite desta quarta (27), no Espaço Cultural Pinho de Riga, em São Paulo [veja, abaixo, o serviço completo].

Nascido em Poços de Caldas, no sul de Minas, ele vive em São Paulo há quatro anos, onde trabalha com teatro – é ator e diretor. Antes, foi de tudo, de garçom e balconista a animador de festa infantil.

Miguel Arcanjo Prado – Você escreve desde quando e por quê?
Daniel Viana – Sempre gostei de poesia, e desde criança rabiscava algumas coisas. Gostava de brincar de criar livros e inventava histórias com muita facilidade. Pensando por esse lado, a escrita sempre esteve em mim. Há dois anos, comecei me arriscar em escrever dramaturgia teatral e contos, e, no ano passado, encontrei na casa da minha mãe a minha máquina de escrever. Resolvi então criar um projeto para homenagear o meu pai – um homem simples, vendedor de peixes, estudou só até a 4ª série primária, mas escrevia poesias quase diariamente e gostava de espalhar seus poemas pela casa onde morávamos. Dessa forma, resgato poeticamente o olhar dele, mas quebrando as paredes da casa e ampliando esse olhar poético para a rua.

Como surgiu o livro?
O livro 100 Contos por 10 Contos Trocados surgiu através do projeto de intervenção urbana chamado “Guardanapos Poéticos” que criei. Desde o dia 1º de janeiro de 2013, diariamente, escrevo um conto curto, datilografo-o em um guardanapo e depois deixo esse guardanapo poético na rua para ser encontrado por outra pessoa. Todo o processo é registrado e divulgado virtualmente através da página do Facebook 100 Contos por 10 Contos Trocados. O livro reúne cem contos curtos e custa dez reais, por isso recebeu este nome.

Em que você se inspirou?
Os contos são inspirados em histórias que desconhecidos me contam na rua, é um livro baseado em causos reais.

Minas é terra de grandes escritores. Acha que mineiro já nasce com a escrita dentro de si?
Trago para minha escrita lembranças e memórias da infância no interior de Minas, retrato situações que vivenciei ou observei. Acho que a poesia está em todos. Entre tantas montanhas para olhar e sem nenhum mar para naufragar, acho que em Minas há mares de amores.

Foi difícil lançar este primeiro livro?
Fazer literatura no Brasil é muito difícil. Muitas vezes não pelo interesse popular, mas pelo custo do material. O meu desejo era criar um livro que fosse acessível à população. Para transformar a intervenção urbana em um livro de contos, escrevi um projeto para o Programa Vai [Valorização de Iniciativas Culturais, da Prefeitura de São Paulo] e acabei sendo contemplado. Dessa forma, o projeto cresceu (e muito), pois tive uma base financeira para focar ainda mais na questão literária e conciliar com o teatro. Pude também tornar esse meu desejo em realidade, pois como o livro foi concretizado através do Vai, ele tem baixo custo, só 10 contos trocados [R$ 10,00].

Quais são os escritores que você admira?
Marina Colasanti, Marcelino Freire, Manoel de Barros, entre outros.

Por que você optou por escrever pequenos contos?
Escrevo com poucas palavras, em poucas linhas. Confesso que achava que isso era um ‘defeito’ para quem queria escrever um livro e admirava os autores de romances. Com o tempo conheci os microcontos e me identifiquei, encontrei nesse formato um caminho. Descobri que meu “defeito” tinha nome: escritor microcontista.

Quando saiu de Poços de Caldas e veio para SP?
Há 4 anos cheguei em São Paulo, saí do interior pois queria vivenciar, aprender e aprimorar a arte teatral. Fui aprendiz da ELT [Escola Livre de Teatro de Santo André] por três anos no núcleo de direção e sou um dos artistas que representa a luta pela continuidade das atividades da Escola. Atualmente sou ator e assistente de direção do Grupo XIX de Teatro e recentemente do Grupo Sobrevento.

O que você fazia lá em Poços de Caldas?
Em Poços de Caldas fiz muitas coisas, fui doutor palhaço, animador de festas infantis, arquivista, balconista, entregador de panfletos na rua, garçom… Mas é no teatro que me encontro, é na arte que me sinto completo.

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