21/07/2011

O distrito de Ermelino Matarazzo tem um cenário cultural intenso, com vários grupos teatrais, musicais e artesanais. Por falta de espaços adequados para abrigar suas atividades, acabam se apresentando nas ruas e praças do bairro.

O artista plástico Ricardo Cardozo conta que mobilizações em prol desses espaços culturais vêm ocorrendo desde a época da ex-prefeita Luiza Erundina, cujo mandato foi de 1989 a 1992. Naquele tempo, as reivindicações não foram atendidas porque a Secretaria de Cultura e o Departamento de Parques e Áreas Verdes não chegavam a um acordo sobre o local onde seria construída a casa de cultura.

Ele comenta que as negociações foram suspensas nas gestões seguintes, dos ex-prefeitos Paulo Maluf (1993-1996) e Celso Pitta (1997-2000). No governo Marta Suplicy (2001-2004), foi anunciada a construção de um Centro de Educação Unificado (CEU), o que atenderia às demandas culturais do bairro. No entanto, as gestões posteriores, de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (sem partido, rumo ao PSD), não concretizaram o projeto. Desde 2005, vários grupos da região têm se articulado em busca de uma solução. “A burocracia e as mudanças de prefeito ao longo desses anos têm atrapalhado bastante”, afirma Cardozo.

Os grupos da região se uniram no chamado Cultura ZL, que agrega vários coletivos de cultura, e desenvolveram o Cultura na Praça. Esse evento, realizado em espaços públicos da região, realiza várias atividades culturais em torno de temas específicos. Em agosto, a temática será “Cultural: uma pauta para reflexão”. Cardozo diz que serão discutidos os problemas que afligem o mundo, como as guerras e as drogas, entre outras questões sociais.

“Um espaço cultural é muito importante para o bairro. Temos aqui apenas uma biblioteca, na qual não podem ser realizadas outras atividades”, afirma Carla Soares, que ensina fotografia e é responsável pela gravação das atividades realizadas nas praças. As cenas registradas são transformadas em pequenos documentários que ajudam a divulgar as ações do grupo.

Atualmente a questão envolve a falta de verba da subprefeitura de Ermelino Matarazzo. Em dezembro de 2010, o grupo fez um manifesto a favor do espaço. Chamou tanta atenção que o secretário de Cultura, Carlos Calil, quis marcar uma reunião. Nesse encontro, Calil garantiu aos ativistas que há dinheiro, mas que não pode investir diretamente, já que essa é função da subprefeitura.

Para resolver o impasse, Calil teria apresentado duas alternativas: ou Kassab assinaria um decreto voltado à abertura de casas de cultura para a secretaria, ou liberaria verbas para a subprefeitura. Até hoje nada foi feito.

Procuradas pela Rede Brasil Atual, a Secretaria de Cultura e a subprefeitura não confirmaram nenhuma informação, nem responderam aos questionamentos.

Fonte: Rede Brasil Atual

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