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16/06/2012
Assista na íntegra o filme documentário “Ermelino é Luz” do cineasta Pedro Dantas no final desta matéria.
Biografia

Pedro Dantas nasceu em São Paulo-SP, Brasil, no dia 3 de dezembro de 1975. É formado em jornalismo na PUC-SP. Cursou cinema no IDAC, Instituto de Artes Cinematográficas, em Avellaneda – Bs As, Argentina, e edição e direção de imagens no SENAC. Trabalhou como editor de vídeo nas produtoras Referência Filmes (1997-1998) e Estímulo Cine Vídeo (1999–2000), foi repórter da TV PUC-SP (2001-2003) e repórter fotográfico da Editora Abril (2003-2004). Trabalhou também como redator do catálogo da 27a Mostra Internacional de São Paulo (2003). Dirigiu os documentários Samba Hop SP (2001) e Um Dia de Samba (2002), que fazem parte do acervo do Instituto Itaú Cultural, e estiveram em mostras como a recente SP Música 450, de curadoria de Francisco César Filho. Ainda como diretor, realizou o documentário Argentina Acorralada (2003), que recebeu o Prêmio de Melhor Reportagem e Melhor Documentário da TV Universitária Brasileira no XI Festival Gramado Cine Vídeo. Em 2004 foi Coordenador Geral e integrou o comitê de seleção Mostra de Documentários do Mercosul, realizada na Sala Cinemateca de São Paulo. Em 2005, como diretor da série de documentários ¿Onde Está América Latina? recebeu os Prêmios de Melhor Vídeo Documentário no 9O FAM (Florianópolis Audiovisual do Mercosul), Melhor Curta pelo Júri Popular na 7a Mostra de Londrina e Melhor Som Direto no IV Festival de Cinema e Vídeo de Santa Maria – RS, com Percal, o primeiro curta da série. O segundo documentário de ¿Onde Está América Latina?, Uma Mina de Ouro em PuelMapu, recebeu o Prêmio de Melhor Vídeo Ambiental no II MoVA (Mostra de Vídeos Ambientais) de Caparaó, no Espírito Santo. Em 2005 trabalhou com o cineasta Maurício Berú na compilação de seu acervo histórico sobre Ástor Piazzolla e ministrou a Videoficina Documental ¿Onde Está América Latina? no SESC Itaquera. Ainda em 2005 dirigiu para a TV PUC-SP o programa especial sobre o cineasta brasileiro Carlos Reichenbach. Em 2006 realizou como diretor o documentário, KollaSuyo, sobre a Guerra do Gás na Bolívia, que recebeu o Prêmio Walter da Silveira de Melhor Vídeo da XXXIII Jornada Internacional de Cinema da Bahia, o Prêmio de Melhor Filme Livre na VI Mostra do Filme Livre – RJ (2007), Melhor Vídeo do IV MoVA Caparaó e o Prêmio Especial do Júri de Menção Honrosa de filme/documentário do 10º Festival de Cinema Vídeo e DCine de Curitiba. Em 2007 foi consultor de programação e mediador dos debates nas projeções de curtas Curta e Debata do projeto Somos América do SESC Ipiranga. Foi também convidado especial do ciclo de Cinema Soy Loco Por ti América, no SESC Campos, Rio de Janeiro, onde participou do debate de abertura. Como jornalista publicou reportagens nas revistas Fórum, Discutindo Geografia e Desvendando a História. Em 2008 foi novamente foi consultor de programação e mediador de debates no SESC Ipiranga, dessa vez no ciclo de documentário chamado O Som Que A Gente Vê. Também em 2008 finalizou como diretor o curta Lamento Paulista, uma crônica musical que pensa a crise de segurança pública de maio de 2006 em São Paulo. A TV BRASIL, adquiri o direito de 4 exibições dos de seus documentários KollaSuyo – A Guerra do Gás, ¿Onde Está América Latina? Percal e Uma Mina de Ouro em PuelMapu. Em julho de 2008 ministra no SESC TAUBATÉ videoficina de teoria e prática de documentário onde ao final do cursos os alunos têm realizados 3 curtas de 10 minutos. É agraciado com uma bolsa integral para participar do III Seminario Ibermidia/UNIACC de Roteiro e Produção Criativa de documentários, em Santiago do Chile. Em janeiro de 2009, com a TV-PUC-SP, como diretor e roteirista, conclui o documentário Ermelino É Luz, contemplado no II Edital História dos Bairros, da Prefeitura de São Paulo. É selecionado como uno aluno especial do programa de Pós Graduação de Ciências da Comunicação da USP, no curso Produção A Audiovisual de Não Ficção: na Transversal da Imagem, da pfa. Marília da Silva Franco. Prepara o lançamento de seu novo documentário de temática latinoamericana, La Moneda, uma investigação sobre a história e a atualidade da exploração de recursos minerais na rica cordilheira andina chilena.
filmografia
2009 – La Moneda (dpc, 52min Brasil-Chile)
– Ermelino É luz (doc. 35min, II Edital nHistória dos Bairros de São PAulo)
2008 – Lamento Paulista (doc 23 min – Menção Honraosa VIII Mostra do Filme Livre)
2006 – KollaSuyo – A Guerra do Gás (52min. Brasil-Bolívia- Melhor Vídeo XXXIII Jornada Internacional de Cinema da Bahia – Melhor Filme VI Mostra doi Filme Livre, entre outros prêmios…)
2005 – ¿Onde Está AMérica LAtina Percal 9doc, 25 min, Brasil-Argentina, Melhor Curta Júri Popular 7a Mostra Londrina de Cinema, Melhor documentário emVídeo do 0 FAM)
– Onde Esrtá América LAtina? Uma Mina de Ouro em PuelMapu (doc 28 min, Brasil-Argentina, Melhor Filme IV MoVA Caparaó)
2003 – Um Dia de Samba (28 min doc musical)
– Argentina Acorralada (28 min doc, Brasil Argenina, Melhor Víde0 e Melhor Reportagem da TV Universitária no XI Gramado Cine Vídeo)
2002 – São Paulo: Cidade en Fuga (12min, videoarte)
– Inti – Sobre Cuzco, o Peru e os Incas, (doc, 28 min Brasil-Peru)
– Samba Hop SP (56min, doc musical)
Sobre o filme
Ermelino Matarazzo, a poética cotidiana de um bairro cuja história de autoconstrução e mobilização contribui para ofortalecimento da luta pelo direito à moradia em todo Brasil.O filme é resultado do projeto contemplado no II Edital História dos bairros da cidade de São Paulo. O processo derealização do documentário deu origem ao festival SP LESTE EM MOVIMENTO.

É diferente o conceito de um realizador que se propõe a reproduzir a realidade, ao conceito de um documentarista que se põe frente à realidade e procura sincronizar-se a ela. Por isso a realização da Oficina de Vídeo Documentário, chamada por nós de Laboratório Documental de Construção da Poética Cotidiana, que aconteceu na Associação Cultural Poder Negro entre os meses de setembro e novembro de 2008 foi fundamental para me relacionar com os moradores e conhecer o cotidiano do bairro de Ermelino Matarazzo. Realizar a oficina significou conhecer o bairro em sua expressão verdadeira, a qual muitas vezes permanece oculta por números e estatísticas.
Assim, o roteiro de gravação do documentário surgiu a partir da relação humana que tivemos com o grupo de alunos, que nos traziam histórias, sugeriam potenciais personagens e relatavam fatos cotidianos através de exercícios escritos e de conversas.
Nos interessava conhecer seus sonhos e anseios, suas lutas, suas conquistas, as dificuldades do cotidiano, as belezas artísticas, os feitos memoráveis. Queríamos conhecer o olhar destas pessoas sobre seu próprio bairro. Quais signos e lugares do bairro lhe trazem recordações, emoções, alegrias? O que eles olham? Por que? O que impressiona? O que incomoda e o que agrada? Tais são as imagens que compõem Ermelino É Luz.
Por isso, dentro da estética realista proposta no documentário, articulamos os planos subjetivos, aqueles que buscam o olhar do protagonista da ação. Como dizia o cineasta Fernando Birri (1) a câmera à altura dos olhos – tanto para registrar em primeiro plano, como para plano geral – significa incorporar de fato a filosofia realista. O plano objetivo e neutro é usado estrategicamente, em poucos e precisos momentos de forma a possibilitar que o espectador visualize o todo da ação e entenda qual a posição e o movimento dos protagonistas. Os planos, porém, não acontecem de forma isolada, mas são conectados
dentro de uma mesma ação. Ermelino É Luz conta também com técnica de sincronização de sentidos em montagem discursiva (2), xtravasando assim a objetividade textual em um filme que talvez esteja mais próximo de um “não-ficção” do que de um documentário”. Porém, sem abrir mão da reflexão humana e de sua capacidade de elaboração textual através de depoimentos de moradores, artistas e estudiosos do bairro. A montagem não ilustra de forma pontual aquilo que o depoimento nos conta, mas atua como arte que irá revelar e provocar novas formas de compreensão e apreciação da realidade. A sincronização de sentidos significa que há em um mesmo momento do filme diferentes camadas de informação articuladas, o que permite ao espectador apreciar de diferentes maneiras a obra. Por exemplo, na Sequência IV, durante o depoimento de Dona Neuza sobre a importância da organização comunitária para as conquistas sociais na região observamos:
• O áudio do depoimento de D. Neuza muitas vezes acompanhado da imagem sincronizada deste depoimento.
• A montagem mistura sobre este depoimento imagens de arquivo histórico do filme Há Lugar, de Julio Wainer, que retratam a ocupação de terrenos para a moradia popular na região.
• A montagem mistura inda imagens do Núcleo de Reciclagem de Vidro da Associação Cultural Poder Negro. Garrafas sujas de pinga, cerveja e refrigerante são transformadas em belas obras de arte.
• Execução instrumental da trilha sonora original do filme, a musica Adoniran É Luz, pelo grupo O Samba Que A Gente Faz, apenas com pandeiro, bandolim de Luciano Machado e um pouco de rebolo. Os demais instrumentos aparecem apenas no início e ao final da
seqüência, mas nesse momento a música é outra: improvisação instrumental pelo grupo Mi Menor.

• Som ambiente da oficina de reciclagem de vidro Cada um destes itens, exceto o último citado, contam por si próprios uma pequena história, e, articuladas criam um novo sentido. Essa técnica de montagem acorre ao transcorrer de todo filme desenhando assim sua identidade estética final. Outra característica do filme é que todo material que o compõe é oriundo de Ermelino Matarazzo. Todas as imagens filmadas são do bairro. Toda a trilha sonora foi gravada no bairro, por moradores do bairro. Todos os depoimentos são de moradores do bairro. Apenas o material de arquivo histórico mistura imagens da região, e tem cenas em São Miguel Paulista, o bairro vizinho.

(1) Fernando Birri: um dos pais do novo cinema latinoamericano, fundador da histórica Escola Latino-Americana de Documentários de Santa Fé – ARG, em 1956 e da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba.
(2) A Montagem Discursiva é aquela cujo os cortes e sincronização de sentidos estabelece o fluxo de informações e a estética do filme, que se faz
preponderante principalmente através da montagem, e não do fluxo interno das imagens. A partir dos conceitos refletidos por Vicent Amiel em seu livro Estética Del Montaje, Abada editores.

Assista em tela cheia.

Veja reprodução de imagens do filme(clique na foto para ampliar):

Fonte: Leste em movimento

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