19/11/2010

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, entregou na manhã desta sexta-feira (19/11) o novo campo de futebol society da Fundação Cruyff. Instalado no Clube Desportivo da Comunidade (CDC) Flor da Mocidade do Burgo Paulista, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste, o novo equipamento é o primeiro da instituição holandesa na América Latina e deve beneficiar as atividades de lazer das cerca de 250 mil pessoas que vivem na região.

Chamado de Cruyff Court pela fundação, o espaço oferece às crianças a possibilidade de brincar de forma segura, desenvolvendo competências sociais e de auto-estima. O projeto está incluído no projeto Clube Escola, da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, que tem por objetivo reunir as crianças e adolescentes da Capital por meio de jogos e atividades recreativas.

“Essa é uma parceria muito importante da Fundação Cruyff e da Prefeitura de São Paulo. É um gesto de generosidade da entidade, que vem apoiar as nossas políticas públicas e melhorar nossos equipamentos. Esse CDC já atendia bem a população e vai atendê-la melhor ainda. Por tudo isso, queremos agradecer a Fundação e festejar esse importante avanço para a região”, afirmou Kassab.

O secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação, Walter Feldman, também saudou a iniciativa holandesa. Ele revelou como foram feitos os contatos entre a Prefeitura e a Fundação Cruyff. “Há cerca de oito meses nós fomos procurados pela Plataforma, uma instituição brasileira que intermediou o contato com a fundação. Foi ela que nos apresentou essa possibilidade. Conhecemos o trabalho dela, e imediatamente nós mostramos total interesse”.

Para Feldman, o trabalho do instituto é similar ao realizado pelo Clube Escola na Capital. “A Fundação Cruyff trabalha muito na África. Ela faz um trabalho extraordinário por lá atuando num setor muito difundido no Brasil: no esporte público, amador e não-competitivo. Aqui talvez seja um laboratório de uma experiência social extremamente positiva, até porque é a primeira parceria em caráter internacional onde existe uma disponibilização de recurso vindo do exterior e que não depende tanto da Prefeitura”.

Para receber toda a estrutura do Cruyff Court, a Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras (SIURB), por intermédio do Departamento de Edificações, concluiu em 60 dias as obras para manutenção, recuperação e pintura dos banheiros, dos vestiários, da lanchonete e da área administrativa.

No entorno da quadra foram recuperados 280 m² do alambrado, do calçamento e das galerias de drenagem do campo, além da manutenção do muro de arrimo – a fim de evitar erosões na área do gramado. Também foram pintados os muros do CDC e verificadas as tubulações situadas nas laterais da quadra.

Satisfação

Os holandeses demonstraram satisfação com o início dos trabalhos no Brasil. Para a diretora da Fundação Cruyff, Carole Thate, é um orgulho ter a entidade como apoiadora da Prefeitura. “Esperamos que essa união de esforços seja proveitosa. Queremos, a partir de agora, ter a comunidade local como nossa principal parceira”.

Já o diretor-geral do Ministério dos Assuntos Econômicos do Reino dos Países Baixos, Marten Van den Berg, afirmou que é um prazer fazer parte desse projeto. “Holanda e Brasil sempre tiveram uma relação muito boa, e agora temos um trabalho voltado para crianças e jovens. Por isso, nosso governo cedeu 450 bolas à Prefeitura. É um pequeno gesto para esse importante programa”.

Depois da solenidade oficial, o prefeito deu o pontapé inaugural do gramado. Depois, uma seleção de astros brasileiros, composta por Djalminha, Júnior Baiano, André Cruz, Válber, Ricardo Rocha e reforçada pelo colombiano Freddy Rincón, encarou o combinado Holanda e Bélgica – que contou com os holandeses Aaron Winter e Pierre van Hooijdonk e o belga Jean-Marie Pfaff.

O amistoso fez parte da divulgação da candidatura conjunta de holandeses e belgas para receber a Copa do Mundo de Futebol em 2018 ou 2022. A definição da Fifa sobre as sedes dos dois Mundiais acontecerá no próximo dia 2. A solenidade de entrega da Cruyff Court contou com a presença do presidente do Comitê Holanda-Bélgica 2018/2022, Harry Been.

A Fundação Cruyff

A Fundação Johan Cruyff foi inaugurada em 1997 pelo melhor jogador de futebol europeu do século 20, o holandês Johan Cruyff. Com o objetivo de ajudar na inclusão social, a Fundação atua em parceria com empresas, instituições governamentais e escolas, para a implantação do Cruyff Court em locais próximos a escolas e em bairros pobres, onde as crianças podem praticar esportes. Ao longo dos anos, a Fundação Cruyff inaugurou mais de 130 campos no mundo. Hoje tem projetos na África do Sul, Espanha, Inglaterra, Marrocos, Israel, entre outros.

Sob o sol forte das onze horas da manhã em São Paulo, meia-dúzia de holandeses e belgas chegaram a um campo na Zona Leste para desafiar uma seleção brasileira de showbol. Não apenas por “consolo” pela vitória sobre o Brasil na Copa de 2010, eles estavam dispostos a cozinhar no calor de 30 graus por uma causa maior.

ÍDOLOS DO PASSADO EM SÃO PAULO

Vermelho de sol, Pfaff mostrou descontração; goleiro belga participou das Copas de 1982 e 1986

Garotada não sabia bem quem era Van Hooijdonk, mas assediou o atacante holandês da Copa de 98

Autor de um dos gols da Holanda contra o Brasil em 1994, Aron Winter foi o destaque do time gringo

Eles foram trazidos pelo comitê da Holanda e da Bélgica para sediar a Copa do Mundo de 2018, e inauguraram um campo em parceria com a Fundação Johan Cruyff no bairro de Ermelino Matarazzo nesta sexta-feira. Ensaiaram o discurso de “inclusão social” enquanto vestiam camisas brancas com o logotipo que promove a candidatura.

Nomes como Aron Winter, Pierre van Hooijdonk e Jean-Marie Pfaff chegaram para se trocar no vestiário junto com Djalminha, Júnior Baiano e Rincón. A criançada enlouqueceu por um autógrafo, mas a maioria não sabia direito quem eram aqueles jogadores que fizeram sucesso na geração passada.

Perguntada se sabia quem estava no vestiário, uma criança que estava no meio do tumulto disse: “Não sei’. E o Djalminha, o Júnior Baiano? Silêncio e olhares confusos. Não importa quem fossem, eles eram famosos e estavam ali para prestigiar a comunidade.

A criançada estava tão empolgada que se esqueceu do dia 2 de julho de 2010 e gritou “Holanda, Holanda”. Enquanto isso, o alto-falante anunciava: o prefeito Gilberto Kassab chegou para inaugurar o campo. “É um gesto de generosidade da fundação, procurando apoiar nossas políticas públicas e melhorar nossos equipamentos”, comentou.

Kassab estava escoltado pelo secretário de Esportes, Walter Feldman. Ele lembrou que o campo é o 131º da Fundação Cruyff ao redor do mundo, e vai atender 200 jovens: “Fomos procurados por uma instituição brasileira que tem uma ponte com a Holanda e a Bélgica, e eles apresentaram essa possibilidade. Mostramos total interesse, pelo fato de não haver nenhum equipamento com essas características na América Latina, com foco no esporte público, amador”.

Consolo dos holandeses pela eliminação? “Diria que é uma boa comparação. Tenho horror daquilo que o Brasil fez na Copa. E a Holanda tem uma tradição, ou seja, eu sou da geração Cruyff, da geração Gullitt, e o carrossel holandês é algo que nunca mais se repetiu. Então eu espero que saiam craques daqui também”, despistou Feldman.

Presidente da candidatura Holanda-Bélgica, Harry Been esclareceu que o projeto em Ermelino Matarazzo já estava em desenvolvimento bem antes daquele jogo das quartas de final da Copa. Mas admitiu um certo remorso: “Não podemos esquecer que no primeiro tempo eles jogaram muito melhor, mas depois conseguimos dois gols e estava acabado. O que eu acho é que tivemos sorte de vencer, ficamos felizes, mas foi por sorte”.

O holandês atendia à reportagem sob o sol do meio-dia, já com o rosto avermelhado. No campo, até os morenos Winter e Van Hooijdonk mostravam a língua. Mas os europeus perderam só por 5 a 4 para o time que contava com por Sérgio no gol e Júnior Baiano, Válber, Rincón e Djalminha na linha. “Tentei deixar o jogo empatado, mas não consegui”, revelou o juiz.

No final do jogo, os jogadores foram cercados por meninos e meninas em busca de autógrafos. Mesmo esbaforidos, eles atenderam um por um. Enquanto isso, o representante da candidatura Holanda-Bélgica avisava: “Sabemos que o Brasil deve votar em Portugal e Espanha para 2018. Mas, se eles forem eliminados, vamos buscar esse apoio”, admitiu Harry Been.

Assista o vídeo:

Fonte: Prefeitura S.Paulo, Uol, Terra,
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