20/11/2010

O cruzamento do craque Djalminha veio na medida. Ana Jéssica pulou sozinha e cabeceou sem chances para o goleiro. Golaço. A plateia admirou-se. A menina de 12 anos marcava seu segundo gol no duelo que misturava crianças e ex-atletas das seleções de Brasil, Holanda e Bélgica, sob sol escaldante das 13 horas, nesta sexta-feira (19), em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo.

Inaugurava-se a primeira sede sul-americana da Fundação Johan Cruyff, criada em 1997 pelo holandês que lhe empresta o nome, um dos maiores gênios do futebol. A entidade desenvolve o futebol em comunidades carentes de países do hemisfério sul, uma ideia que parece se justificar a cada jogada de garotos como Ana Jéssica.

Desde os 7 anos batendo bola com os meninos, inspirada pela meia-atacante alagoana Marta – eleita a melhor jogadora do mundo nas quatro últimas temporadas -, ela vai treinar na Portuguesa em 2011. Ainda sem a mesma chance, milhares de jovens da região terão aulas com professores formados pela fundação. A diretora Carole Thate apontou investimento de 100 mil euros no projeto, com previsão de “mais, mais e mais” para os próximos anos. Inclusive com a visita do próprio Cruyff ao Brasil em 2011, ainda sem data definida.

Em parceria com a Prefeitura de São Paulo e empresas multinacionais, a Cruyff Court Ermelino Matarazzo oferece aos jovens da região vestiários, quadra de grama sintética e campo de terra batida, que também abriga espaço para outros esportes.

– Já pensou se Ronaldo vem? Isso aqui fica pequeno – sonhou um espectador.

– Quero ver Rooney!
– Messi vem?
– E Ibrahimovic?
– Tevez não vem?
As crianças disparavam nomes de astros de clubes europeus e mal reconheceram alguns dos ex-jogadores brasileiros escalados para a abertura do centro esportivo. Os adversários, belgas e holandeses também aposentados, eram completamente ignorados pelos meninos que não os viram jogar. Mas não deixavam de ser celebrados. A maioria exibe Copas do Mundo no currículo.

Entre as crianças, espalhou-se o boato de que um dos gringos engravatados era o irmão do atacante sueco Zlatan Ibrahimovic, do Milan. De repente, formou-se uma fila para autógrafos. Bem humorado, o holandês Kees Klein Hesselink, gerente de Negócios de Soluções para Arenas da Philips, encarnou o personagem e rabiscou seu prenome nas camisas. Ainda escutou: “Seu irmão joga muito”.

“Vocês são da Holanda?”, perguntou Guilherme Souza, 13 anos, vestido com o uniforme laranja do evento, a dois homens que olhavam o gramado. À resposta positiva, emendou, sobre os destaques da equipe que eliminou o Brasil da Copa do Mundo de 2010: “Já viram o Robben? O Sneijder? De perto?”. Após novo sinal positivo, Guilherme prometeu a vitória “holandesa” no jogo: “Pode ficar tranquilo, nós vai ganhar”.

O time brasileiro apelou até para o colombiano Freddy Rincón, que teve longa carreira em clubes daqui. “Os caras me naturalizaram”, exbiu um largo sorriso Rincón, vestindo a camisa verde-amarela pela primeira vez.

– O Freddy é nosso amigo, já estava aqui (em São Paulo). A gente precisava de nomes famosos, Cafu e Rivaldo não puderam vir – explicou o zagueiro André Cruz, escalado na partida de showbol com o goleiro Sérgio, os defensores Júnior Baiano e Válber, o volante Emerson – não o gaúcho, mas o rastafari -, e o meia Djalminha. Ricardo Rocha, com um joelho machucado, nem tirou a calça jeans.

Júnior Baiano e Emerson pediram subsituição para molhar suas chuteiras.
– Tá muito quente lá!
– Tá queimando (o pé).

Também ensopado de suor, o combinado belgo-holandês, derrotado por 5 a 4, promoveu a candidatura conjunta dos dois países para a Copa de 2018 ou a de 2022. Representaram a Bélgica o goleiro Jean-Marie Pfaff, o atacante Daniel Veyt e o meia Gilles De Bilde. A Holanda enviou o polivalente Aron Winter, o lateral-esquerdo Arthur Numan, o meia Robert Witschge e o atacante Pierre van Hooijdonk.

Winter, Numan e Witschge foram desclassficados do Mundial de 1994 pelo Brasil. Os dois primeiros e van Hooijdonk tiveram o mesmo destino em 1998. O dono da festa, Cruyff, entretanto, selou a vitória da Holanda vice-campeã de 1974 sobre a Seleção.

Fonte: Terra Magazine
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