24/08/2013

A ciência já mostrou que logo que o bebê chega ao mundo é capaz de perceber e aprender o que acontece ao seu redor. A companhia de teatro Sobrevento também aposta nisso e, pela segunda vez, organiza a mostra Primeiro Olhar – II Festival de Teatro para Bebês. Durante quase um mês, artistas de países como Canadá, Espanha e Dinamarca passam por aqui trazendo um teatro poético e sensível, capaz de encantar pais e crianças de 6 meses a 3 anos.( Vila Cisper foi um dos lugares escolhidos para uma das apresentações)

O público-alvo parece muito jovem? Não para Sandra Vargas, diretora do Sobrevento e mãe dos gêmeos Lourenço e Laura, de 8 anos. “A criança é plena desde o primeiro dia que nasce. Tanto que ele não começa a falar de um dia para outro, mas porque ele vê e entende você falando com ele. Por isso, a relação com os bebês não precisa ser pedagógica. Eles percebem o silêncio e ficam sensíveis a história”, diz a diretora também responsável pelo espetáculo Bailarina. A prova disso é que os espetáculos geralmente acontecem para 30 bebês, que não choram e ficam quietinhos prestando atenção.

As peças voltadas para bebês já são bem conhecidas em Brasília, Rio de Janeiro e São Bernardo do Campo, onde aconteceu a primeira edição do festival. Agora, pela primeira vez, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo abraçou o projeto e, em parceria com o Sobrevento, traz a mostra a São Paulo. Este ano, o festival acontece simultaneamente no ABC Paulista. Os ingressos são gratuitos e distribuídos meia hora antes dos espetáculos, que têm capacidade máxima para 40 lugares para bebês e 40 lugares para acompanhantes.

Desafio para o artista
Prender a atenção de bebês não é para qualquer um. Além do trabalho com o texto da peça, que precisa ser delicado e poético ao mesmo tempo, os artistas passam por uma longa preparação. Quando Sandra e seu marido Luiz André Cherubini tomaram conhecimento da existência do teatro para bebês, há 7 anos, os dois viajaram para a Espanha e tiveram um longo treinamento com a companhia pioneira La Casa Incierta. “Com adultos, a gente faz os truques e sabe qual vai ser a reação da plateia, de rir ou de se comover. Com bebês a gente não sabe a reação, o artista se sente sempre pisando em ovos e é obrigado a se voltar para dentro e extrair o máximo de sensibilidade possível. Você abandona o lógico e vai em busca da sensação”, conta Sandra.

O texto também reflete essa sensibilidade. (…) O espetáculo Bailarina fala sobre uma mulher que recebe de presente da filha uma caixinha de música, com uma bailarina. Assim, ela se lembra dos sonhos esquecidos e abandonados e questiona o equilíbrio encontrado desde que sua filha nasceu. É poesia feita por meio de silêncios e gestos simples que, aos olhos dos bebês, se tornam muito maiores, e, aos olhos dos pais, uma história capaz de arrancar lágrimas.

Espetáculo BAILARINA
GRUPO SOBREVENTO | BRASIL

12 de setembro, 14h e 15h | CEU Quinta do Sol

Sinopse: Uma mulher recebe de presente, de sua filha, uma caixinha de música, com uma bailarina. Entre colares e a dança da bailarina, ela se lembra dos sonhos esquecidos e abandonados e questiona o equilíbrio que buscou e que encontrou. Esta conquista, porém, afastou-a do risco, do medo, da queda e das emoções mais profundas que sua filha – agora, do mesmo modo que quando era pequena – teima em despertar. Bailarina é um espetáculo muito íntimo e delicado, feito de silêncios, ações físicas, utilização de objetos, valorização das mínimas ações: pequenas coisas que, na relação com a primeira infância, tomam uma dimensão muito maior.

Duração: Os espetáculos têm duração de 30 a 45 minutos. Ingressos gratuitos, distribuídos meia hora antes de cada sessão. É recomendável fazer reserva pelo e-mail info@sobrevento.com.br.

Fonte: Revista Crescer/foto: (Marco Aurélio Olímpio divulgação)
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