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03/05/2010

Uma rodada de vistorias feita pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal em quatro hospitais da Prefeitura de São Paulo neste ano apurou a falta de 447 médicos em diversas especialidades – média de 112 médicos a menos por hospital. O problema estaria fazendo cair o número de alguns atendimentos. Hoje, segundo o Ministério Público Estadual, a falta de médicos é um dos principais problemas da saúde pública municipal.

Entre os serviços que tiveram queda estão a emergência e as cirurgias, setores que são usados, por exemplo, por quem sofre um acidente de trânsito grave e é encaminhado ao hospital pelo socorro. A pessoa recebe atendimento e pode não encontrar um quadro adequado para atendê-lo.

Os hospitais vistoriados foram os do Tatuapé, de Itaquera, e de Ermelino Matarazzo, na zona leste, e do Campo Limpo, na zona sul. Juntos, eles fizeram 39% dos 3,1 milhões de atendimentos de urgência da rede no ano passado. Eles têm 1.017 leitos de internação – 36% do total da rede hospitalar da Prefeitura. Houve 185 cirurgias a menos em 2009 do que em 2008 nessas unidades.

A falta de médicos foi constatada considerando o número de profissionais necessários para essas unidades operarem e o número de vagas preenchidas nos dias das visitas da Câmara.

Em alguns desses hospitais, houve aumento da taxa de mortalidade hospitalar nos últimos quatro anos, segundo relatório enviado pelo gabinete da vereadora Juliana Cardoso (PT), com base em informações do Relatório Estatístico Mensal da Secretaria Municipal da Saúde. No hospital do Campo Limpo, a taxa de mortalidade subiu 15, 9%. No Tatuapé, 4,7%.

A Prefeitura rebate as acusações de falta de profissionais. Mostra dados que apontam aumento do número de médicos na rede desde 2005 (leia ao lado). Mas órgãos como o Conselho Nacional de Saúde, o Ministério Público Estadual e a Câmara dizem que esse aumento não ocorreu em todos os hospitais, mas em unidades cuja gestão foi entregue à iniciativa privada, como as Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs).

O problema, segundo essas entidades, é que a Prefeitura tem pago baixos salários – o que estaria provocando uma debandada de profissionais. O presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Célio Jayme Carvalhaes, diz que o piso salarial da Prefeitura, R$ 2.200, é pouco atrativo.

Em Osasco, na região metropolitana, o salário inicial bruto, sem gratificações, é de R$ 3.600. Ao todo, chega a R$ 4.000. “O médico não pode ser considerado um mercenário, mas ninguém trabalha de graça. Nos hospitais, há falta de seringas, papel higiênico, instrumentos. E tem ainda a questão da falta de segurança”, afirma Carvalhaes.

Fonte: Jornal da Tarde
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