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06/08/2013

Regina Tavares da Universidade Cruzeiro do Sul conta suas impressões sobre a palestra realizada dentro da programação da “Escola da Cidadania” com o filósofo e comentarista da TV Cultura Mário Sérgio Cortella. Os encontros acontecem no salão da Igreja São Francisco de Assis que fica na rua Miguel Rachid, Ermelino Matarazzo toda sexta-feira á noitee este foi do último dia 2 de agosto.

“Na última sexta-feira à noite tive a oportunidade ímpar de assistir a uma palestra de Mário Sérgio Cortella. Para quem não o conhece, vale rememorar sua atuação como Secretário Municipal de Educação de São Paulo durante a administração da Prefeita Luiza Erundina ou citar livros de sua autoria como Não se desespere!, Qual é a tua obra?, Política para não ser idiota ou Não nascemos prontos, entre outros. Também é possível ouvi-lo de segunda a sexta-feira, na CBN, no quadro Escola da Vida ou assistir aos seus comentários no Jornal da TV Cultura. Sem dúvidas, estamos falando de um dos maiores pensadores de educação no país na atualidade.

O debate proposto por Cortella girou em torno de dois termos significativos e que, segundo ele, são sinônimos: política e cidadania. Para o filósofo, fazemos política todos os dias, seja ao decidir o que fazer com o óleo de cozinha usado, seja ao recolher uma casca de banana deixada por algum desatento em pleno passeio público.

 

Política, nesse sentido, não tem relação direta com partidos e sim com atitudes. É preciso dar um basta no conformismo e assumir uma das máximas da Ordem Beneditina: Não resmungar! É permitido discutir, criticar, e debater, mas jamais, resmungar. Devo confessar que a frase emitida por Cortella despertou boas risadas no público. Afinal, quantas vezes já dissemos por aí: “Alguém ter que fazer alguma coisa!”

 

Questionar algumas definições – que de tão repetidas parecem verdades – é um dos primeiros passos para o exercício da cidadania. Sendo assim, em um país marcado por uma intensa miscigenação e diversidade, é impensável termos à disposição meias cor de pele ou shampoos para cabelos normais, não é mesmo? Mais uma prova de que política se faz nas coisas mais singelas do dia a dia.

 

Entre tantas histórias contadas por Cortella neste happy-hour às avessas, uma me chamou a atenção; ele dizia ter presenciado a chegada de um ET no Brasil e de como fora surpreendido pelas graças do lugar. Cortella dialogava com o alienígena – que lá pelas tantas já estava com os 8 olhos esbugalhados de tanta admiração pelo país – e deixou escapar que aqui não havia ciclone, tsunami, nevasca, furacão ou qualquer coisa que o valha. Em compensação, também não havia saneamento básico, vagas nas escolas, bons atendimentos hospitalares ou alimentos para todos. “Mas, como isso é possível?”, indagou o ET. “Aqui é assim”, disse um apático Cortella que nada condizia com o palestrante que nos encarava.

Quase no final de sua exposição, ele revelou como foi determinante topar em seu caminho com um educador sublime e entender que apesar das adversidades, o ideal é esperançar, ou seja, ter esperança, algo bem diferente do verbo esperar e tão caro ao ato político e cidadão. Este educador era Paulo Freire.”

Fonte: blog.cruzeirodosul.edu.br/imagem: reprodução

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