Envie esta notícia para seus amigos de Ermelino e Ponte Rasa

01/08/2014

Após ser expulso do Partido dos Trabalhadores pelo diretório estadual do PT, o deputado estadual Luiz Moura (PT-SP) negou ter ligações com organizações criminosas. “Eu sou inocente. Eu vou provar na Justiça que eu não tenho qualquer ligação com o crime organizado”, afirmou o parlamentar aoG1 nesta sexta-feira (1º).

Ele também informou vai recorrer da decisão no diretório nacional do partido e que continuará a campanha para tentar a reeleição em outubro.

A expulsão do deputado já havia sido aceita pela executiva estadual do PT na quinta-feira (31), mas dependia de aprovação do diretório. Luiz Moura é suspeito de envolvimento com facções criminosas em São Paulo desde março, quando foi flagrado pela polícia em reunião com supostos criminosos.

O deputado definiu a expulsão como um julgamento “político” e uma “decisão ditatorial”. No total, 41 membros do PT com direito a voto compareceram à reunião desta sexta e decidiram pela expulsão em decisão unânime. Por isso, a partir desta sexta-feira, o parlamentar não faz mais parte da legenda e dos quadros do partido, de acordo com o diretório.

Em nota, o presidente do PT-SP, Emídio de Souza, afirmou que é um dever dos partidos zelar pela conduta de seus filiados. Souza também afirmou que o deputado teve “amplo direito de defesa”. O processo, de acordo com o presidente do partido, começou no dia 2 de junho, com a suspensão de Luiz Moura.

O político também foi ouvido pela Comissão Executiva, pela bancada na Assembleia Legislativa, por comissão destacada pela Comissão Executiva e na quinta-feira foi convidado a participar da reunião para apresentar provas e testemunhas, mas não compareceu.

“Ele foi chamado para essa própria reunião [da executiva estadual]. Foi notificado no dia 18 [de julho] e foram dados dez dias para ele apresentar documentos, testemunhas. Ele poderia trazer até oito testemunhas e não trouxe nenhuma, não veio”, disse o presidente do PT.

Ficha limpa
Luiz Moura assegurou ser ficha limpa e disse que não foi notificado de nenhuma reunião da legenda e da decisão pela expulsão. Sobre a reunião da qual teria participado com membros de uma facção criminosa, afirmou que “fazer reunião não representa um ato ilícito”.

De acordo com o deputado, a 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça decidiu na quarta-feira (30) manter a liminar que garante sua candidatura. Ele afirmou ainda que vai manter sua campanha e que continuará lutando na Justiça contra o PT para disputar as eleições de outubro.

O presidente do partido em São Paulo afirmou que já consultou a executiva nacional e informou que o posicionamento é o mesmo na instância superior. “Eu sempre consultei as instâncias superiores. O presidente Rui Falcão já me disse que a executiva [nacional] vai agir da mesma forma e com rapidez, assim que ele recorrer”, disse.

De acordo com o presidente do diretório estadual, a decisão foi tomada por causa do “dano causado à imagem do PT por conta das acusações e depois ainda concluindo com a ação que ele fez contra o partido desestabilizando toda a nossa coligação”.

No início do mês de julho, Moura conseguiu liminar anulando a convenção estadual petista, da qual ele não pôde participar por ter sido afastado do partido. A liminar foi derrubada, mas, se tivesse sido mantida, poderia implicar no fim das candidaturas estaduais petistas, inclusive as de Alexandre Padilha, candidato ao governo do estado, e de Eduardo Suplicy, que concorre à reeleição no Senado por São Paulo.

Investigação
O procurador-geral de Justiça do estado entrou com um pedido no Tribunal de Justiça (TJ) na última quinta (24) para investigar o deputado. Segundo o Diário Oficial, o objetivo é a apuração de eventual prática de crimes de organização criminosa, extorsão, constrangimento ilegal, apropriação indébita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. O TJ ainda não se manifestou.

Para o partido, porém, o fato de o deputado não ser ainda alvo de investigação é indiferente. “A decisão do PT não precisa esperar fatos policiais ou conclusão de inquérito policial”, disse Souza. Segundo ele, a legenda “não é um órgão de investigação”. “Nós não temos qualquer tolerância com mal feito. Cabe aos partidos políticos filtrar aqueles que militam no seu interior e nós entendemos que a conduta dele não é compatível com as propostas do PT”, disse.

Fonte: G1

Comentários