31/07/2014

Em matéria publicada no “Estado de Minas” o deputado estadual Luiz Moura (PT) afirmou ser inocente de todas as suspeitas da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, negou fazer parte do Primeiro Comando da Capital (PCC) e disse que nunca foi chamado pelo Gaeco para prestar esclarecimentos. Ele disse que tomou conhecimento da investigação em junho, quando procurou o órgão pedindo para ser investigado.

“Eu espontaneamente fui pedir para me investigarem. Apesar de o PSDB também ter feito isso, eu fui antes. Já que eu sou incendiário de ônibus, excomungado de igreja e cometi tanto crime, pedi para me investigarem. Lá na frente vão ver que sou inocente.”

Moura acredita que a investigação tem caráter político. “É para criar matéria política, dar ênfase para essa reunião que a imprensa diz que supostamente tinha o PCC. É para me destruir politicamente e criar embaraço”, afirmou. “Não posso chegar e discriminar uma pessoa que vai participar de uma reunião minha e pedir antecedentes criminais”, explicou. Segundo ele, a reunião que terminou na delegacia sem nenhum preso era para discutir repasse de tarifa e greve.

Para Moura, também há “ciúmes político”, pois o PT teve um crescimento eleitoral “muito grande” nos bairros de Ermelino Matarazzo e Guaianases, bairros de origem dele e do irmão, o vereador Senival Moura.

Moura também afirmou que, ao tomar conhecimento da investigação, descobriu que o Ministério Público já havia quebrado os sigilos bancário e fiscal. “Eu nunca lavei dinheiro (para o PCC). Foi muito bom o Ministério Público ter quebrado meu sigilo bancário.”

Moura disse que “jamais” fez parte da facção criminosa e também que nunca foi procurado por integrantes do PCC para lavar dinheiro para o crime. “O ônus de quem acusa é trazer provas. Eu não posso criar prova, dar qualquer tipo de declaração dizendo aquilo que o Ministério Público está falando. Eles que têm de provar.”

Lotações

Moura também disse que não tem mais nenhum tipo de envolvimento com o ramos de lotações. Alega que foi sócio da Happy Play por seis meses, entre setembro de 2009 e abril de 2010, sem exercer atividades operacionais. O deputado negou ter enriquecido na Happy Play. “Dizem que eu tinha um patrimônio de R$ 5 milhões, mas nunca tive um carrinho de pipoca sequer.”

Um mês antes de sair da empresa, segundo Moura, ele havia se desligado na Transcooper, onde estava desde 2002. Ele ainda afirmou que as duas empresas não tinham relação e negou que no período em que esteve na Happy Play ela funcionasse no mesmo endereço que a Transcooper. “A partir de 2010 não estava mais. No período em que eu estava, tenho absoluta certeza de que não (funcionavam no mesmo endereço)”, disse.

No “Diário da Web”O grupo político dos irmãos petistas Luiz Moura e Senival Moura controla, com postos-chave de chefias, as Subprefeituras de Guaianases e de Ermelino Matarazzo, ambas na zona leste de São Paulo. Os líderes de perueiros já contam até com estratégia política para conseguir eleger dois deputados com votos dessas regiões, mesmo que Luiz fique impossibilitado de disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa.

Com o risco de Luiz não poder ser candidato, Jorge do Carmo Silva, de 48 anos, que até o fim de 2013 era chefe de gabinete de Senival na Câmara, acaba de deixar a chefia de gabinete da Subprefeitura de Guaianases para ser candidato a deputado estadual. Fará dobradinha com o padrinho político, candidato a deputado federal. Eleito vereador com 46.524 votos em 2012, Senival tem a vitória dada como certa dentro do PT.

Outro aliado dos irmãos Moura, o vereador Vavá dos Transportes (PT) controla a Subprefeitura de Ermelino Matarazzo, para a qual indicou o atual chefe de gabinete, Leandro da Cruz Medeiros, seu ex-funcionário no Legislativo.

Com a provável saída de Senival para o Congresso, Vavá será o representante do clã Moura no Legislativo paulistano. Em 2012, foi eleito para seu primeiro mandato como político com o apadrinhamento de Luiz Moura. Mas o deputado diz que, apesar de ser amigo de Vavá, eles não são aliados políticos.

Na Subprefeitura de Ermelino Matarazzo os irmãos Moura também indicaram a chefia da Coordenadoria de Administração e Finanças. O cargo é ocupada por Luiz Carlos Felizardo, ex-integrante da equipe de Senival no Legislativo e em sua campanha nas eleições de 2012.

Alguns petistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que Senival e Luiz, na verdade, comandam as duas subprefeituras e permitem que Vavá faça algumas indicações, como forma de se consolidar politicamente na região e de se manter na Câmara. Até o final de 2013, o chefe de gabinete em Ermelino Matarazzo era João de Oliveira, ligado ao mandato de Luiz na Assembleia.

Em Guaianases, Senival mantém influência direta. O cargo de chefe de gabinete do órgão ainda está vago, mas, segundo petistas, a nova indicação também será feita por ele. Na mesma subprefeitura, o vereador tem duas indicações em cargos de chefia: Severino do Ramo André da Silva, no comando da Supervisão de Cultura, e José Dário de Jesus Correia, atual chefe da Assessoria da Defesa Civil.

Os irmãos Moura são ligados à Cooperativa Transcooper, que agrega 3 mil perueiros da zona leste. Vavá comanda o sindicato de cooperativas da mesma região. O trio passou a comandar cargos de chefia nas subprefeituras da zona leste a partir do segundo semestre de 2013, já na gestão Haddad. Procurada pelo Estado, a Prefeitura não comentou as indicações.

A família Moura adquiriu novas empresas desde 2012. Em março deste ano, Senival abriu uma empresa de transporte rodoviário em Lajeado, na zona leste. Em abril, o vereador registrou em seu nome uma nova academia na zona norte, em sociedade com a mulher e os dois filhos. Já Luiz tem ao menos quatro postos de gasolina na capital paulista.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

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