13/06/2016

usp leste ermelino matarazzoProfessores que integram o grupo de trabalho que desenvolve a proposta para o retorno da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) ao campus da USP, na Zona Leste da capital paulista, apresentaram, em 4 de junho, o desenho inicial do projeto para estudantes, pais, diretores de escolas e professores da região.

O workshop foi organizado pelas lideranças do Movimento por Educação Pública Integral da Zona Leste – da Creche à Universidade, que convidaram os docentes da Poli para falar sobre o projeto. Ao fim do evento, realizado em um salão próximo à Igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, foram recebidas as fichas de inscrição de alunos interessados em participar do cursinho pré-vestibular a ser oferecido gratuitamente pela Poli este ano.

Os integrantes do grupo de trabalho, Mauro Zilbovicius e André Hirakawa, professores dos Departamentos de Engenharia de Produção e de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais da Poli, respectivamente, participaram do workshop, que contou com a presença de 190 pessoas, sendo 144 estudantes que se inscreveram para fazer o cursinho. Promoveram o evento os coordenadores do Movimento por Educação Pública, Padre Antônio Marchioni (padre Ticão) e o Professor Waldir Augusti.

“Propomos que mais do que um curso de graduação de Engenharia na USP Leste. A ideia é ter a Poli como centro de formação, em que a graduação seja articulada com cursos de especialização e atualização para quem já tem uma profissão, e também com um curso preparatório para alunos de Ensino Médio para o ingresso no curso de Engenharia”, explicou Zilbovicius. A ideia, segundo o projeto em elaboração, é dotar a USP Leste de um “Centro de Formação Profissional e de Projetos de Engenharia”, do qual a graduação seja um dos elementos.

Parcerias com empresas da Zona Leste, Guarulhos e ABC serão importantes, especialmente na oferta de estágios e como demandantes de projetos, e com entidades como as Fatecs, escolas técnicas e de ensino médio, Senai e outras, no apoio às atividades de ensino de graduação, de formação ou aperfeiçoamento profissional e cursinho pré-vestibular. “As parcerias são uma forma de ‘enraizar’ a Poli na Zona Leste, ou seja, de contribuirmos diretamente para o desenvolvimento da região, envolvendo seus atores na formação de recursos humanos”, acrescentou Hirakawa.

Segundo Augusti, o workshop superou a expectativa em termos de comparecimento do público. “A apresentação da Poli ajudou a esclarecer dúvidas e, pelos comentários que ouvi do público, as propostas agradaram, tanto que tivemos mais estudantes que assinalaram a Engenharia como opção de carreira nos formulários de inscrição para o cursinho”, contou.

Como deve ser a Poli na USP Leste

O projeto está em elaboração e algumas definições ainda precisam ser feitas. No estágio atual, propõe-se que o curso de graduação de Engenharia de Produção seja oferecido com duas ênfases: em “Cidades” (ou “questões urbanas”), na qual os estudantes seriam preparados para lidar com problemas complexos ligados à vida urbana, integrando conhecimentos de diversos aspectos, como saneamento, mobilidade, políticas e gestão públicas e financiamento, técnicas de construção, cidades inteligentes, entre outros; e em Computação, que focaria ciência de dados (big data, data mining), aplicações de inteligência artificial e outros softwares de aplicação, com possíveis interfaces com o tema cidades inteligentes, por exemplo, e direcionamento também para empreendedorismo.

Uma das grandes inovações do projeto da Poli para a USP Leste, em termos pedagógicos, é o ensino por projetos. “Com essa metodologia, começamos do problema prático para chegar à teoria”, destacou Zilbovicius. A graduação proposta seguiria, ainda, a partir do quarto ano, o sistema cooperativo, em que o ano letivo é dividido em quadrimestres, alternando-se períodos de estágio e de concentração em atividades acadêmicas.

O curso começa com as ciências básicas da Engenharia, e a ênfase em Cidades e Computação seria selecionada posteriormente pelo aluno. Haveria também um período para atividades extraclasse, que poderiam ser desenvolvidas em laboratórios ou como atividades de campo e/ou de projeto; créditos para aulas não presenciais; e um período para o trabalho de conclusão de curso (TCC).

Próximos passos

O grupo de trabalho deve se dedicar ao detalhamento do curso de graduação, como, por exemplo, quais serão as disciplinas a serem ministradas e como será aplicada a metodologia por projeto. Também vão trabalhar na identificação das necessidades em termos de estrutura (salas de aulas, laboratórios, professores e outros profissionais) e de recursos financeiros, prevendo possíveis parceiros públicos e privados para que o projeto se concretize.

Além de Zilbovicius e Hirakawa, integram o grupo de trabalho os professores da Poli Alberto Hernandez Neto, Paulo Sérgio Cugnasca, Mercia Bottura de Barros e Alexandre Kawano. Augusti é o representante da comunidade junto à equipe do projeto.

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