22/06/2016

dona neusa líder comunitáriaA Prefeitura de São Paulo abriu um crédito adicional suplementar de quase R 3 milhões para diversas atividades e, para isso, anulou várias dotações, entre elas, R$ 90 mil referente à elaboração e publicação do livro Dona Neusa “Em Memória” da Associação Comunitária das Mulheres trabalhadoras de Ermelino Matarazzo.  O Decreto 57070 foi publicado dia 17 de junho no Diário Oficial do Município.

Saiba mais sobre a Dona Neusa

História de: Neuza Avelino da Silva Melo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/11/2006

HISTÓRIA COMPLETA

As crianças e adolescentes do “Núcleo Sócio Educativo Padre Ticão”, que se localiza na favela Nossa Senhora Aparecida / Santa Inês no bairro de São Miguel Paulista – São Paulo, através do projeto “Memórias local do bairro”, tivemos a oportunidade de entrevistar a Senhora Neusa Avelino da Silva Melo. Moradora antiga do bairro, fundadora e presidente da Associação Comunitária das Mulheres do Movimento Sem Terra. No dia da entrevista os adolescentes Felipe e Ivete foram recebê-la, com um lindo vaso de flores na entrada da organização e acompanhá-la até a sala da entrevista, onde as demais crianças e adolescentes aguardavam em silêncio. Quando Dona Neusa entrou na sala, ficou surpresa com a quantidade de pessoas que aguardavam por ela. A primeira pergunta foi: – Qual o seu nome completo? A mesma respondeu com muita satisfação. – É Neusa Avelino da Silva Melo, respondeu. Ela nasceu no estado do Maranhão, no dia 13 de Novembro de 1942. Sua infância foi muito complicada, morava com sua avó e era muito carinhosa e feliz. Sua vó a tratava com muito carinho e sabia como educar uma criança. Mas por ironia do destino, sua vó veio a falecer. E Dona Neusa tinha apenas 12 anos de idade. A partir desse momento sua vida completamente. Foi morar com seus pais. O ambiente era completamente diferente. Sentia falta do carinho de avó e das brincadeiras que mais gostava como: pique-esconde, lencinho-branco, cantigas de roda (ciranda, atirei o pau no gato) e bonecas de sabugo de milho. Na sua nova casa, era tudo diferente. Pois não era compreendida, por ser uma criança peralta. . Na adolescência, suas dificuldades só aumentaram, sua mãe também veio a falecer e seu pai não esperou muito e já estava com outra mulher. Dona Neusa não aceitou essa situação, pois achava uma falta de consideração com sua mãe. Então resolveu ir embora de casa, começando a trabalhar para se sustentar. Transformou-se em uma mulher de caráter e com suas idéias e surgiram muitos conflitos, sendo obrigada a procurar outro lugar para morar. Decidiu tentar a vida em São Paulo, uma cidade grande, que acreditava lhe dar condições melhores. Logo passou a fazer parte de um partido chamado “Partido Comunista”. Morou em vários bairros até chegar na Vila Santa Inês/Nossa Senhora Aparecida. Chegando nessa comunidade deparou-se com um lugar carente e humildade, que não tinha muitos recursos na época. Foi então que colocou em prática suas idéias sociais, com a participação da comunidade local. Naquele tempo a energia elétrica era precária,um poste era utilizado para cinco ruas .As ruas não tinham asfalto e nem calçadas. Quando chovia, não dava para andar.Quem saia para trabalhar dobrava as pernas da calças até o joelho, para não sujar de lama. As pessoas que passavam nesse caminho, ainda tinham que lavar os pés em uma poça dágua no asfalto, próximo da igreja São Francisco de Assis. Também não existia o hospital de Ermelino Matarazzo, apenas postos de saúde .As dificuldades eram tantas, que para cozinhar tinha que puxar água de poço. E os problemas pareciam não acabar nunca.Quanto ao transporte, existia apenas uma linha de ônibus coletivo que saia de Ermelino Matarazzo com destino à Estação da Luz, sendo precário e com super lotação. Já existia também a estação de trem Comendador Ermelino Matarazzo, localizado no centro do bairro de Ermelino Matarazzo que funciona até os dias de hoje. Dona Neusa disse, não teria feito nada sem ajuda da comunidade e dos padres “Dom Angélico Sândalo e o Padre Ticão”. Eles tinham idéias parecidas com as dela e juntos colocaram em prática, não dando importância as críticas. Com essa parceria tudo começou a caminhar. Os sonhos que antes pareciam impossíveis de se tornarem realidade tornaram-se reais. Para dona Neusa “Sonho só é sonho quando é sonhado sozinho, porque quando é sonhado por muitos pode virar realidade”. O seu objetivo era urbanizar a Vila Santa Inês e Vila Robertina. Mas com o passar do tempo começaram os conflitos entre o governo e os moradores. O governo não aceitava acordos, pois tratava-se de área municipal. Em meio aos conflitos, notava-se que não era seguro a presença de crianças. Foi então que decidiram criar uma creche. No início a creche não tinha recursos de nenhum órgão público. Era mantida com a ajuda da população local e voluntários que ficaram com as crianças durante o dia e também doações de alimentos . A procura por uma vaga aumentava a cada dia e os recursos passaram a ser insuficientes. “Mais uma vez, teríamos que lutar” Não só mais para urbanização, mas também para conseguir recursos da Prefeitura para a creche . Em 1995 foi assinado o primeiro convênio com a Secretaria da Assistência Social da Regional de Ermelino Matarazzo. A dona Neusa e os padres tomaram rumos diferentes. O padre Dom Angélico foi transferido para uma Paróquia muito distante e o padre Ticão continua sendo responsável pela Paróquia São Francisco de Assis . Dona Neusa atualmente é presidente da Associação Comunitária das Mulheres do Movimento Sem Terra que atende 270 crianças e adolescentes no N.S.E.”Padre Ticão”, 165 crianças de 2 a 5 anos na Creche “Padre Ticão”, 280 crianças e adolescentes de 6 à 14 anos e 11 meses no N.S.E.”Dom Angélico” e 100 adolescentes de 15 á 17, no N.S.E.”Padre Nildo” e cerca de 1500 usuários no Telecentro.

Abaixo o decreto:

DECRETO Nº 57.070, DE 17 DE JUNHO DE 2016
Abre Crédito Adicional Suplementar de R$ 2.885.420,00 de acordo com a Lei nº 16.334/15.
FERNANDO HADDAD, Prefeito do Município de São Paulo, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, na conformidade da autorização contida na Lei nº 16.334/15, de 30 de
dezembro de 2015, e visando possibilitar despesas inerentes às atividades da Secretaria e das Subprefeituras,
D E C R E T A :
Artigo 1º – Fica aberto crédito adicional de R$ 2.885.420,00 (dois milhões e oitocentos e oitenta e cinco mil e quatrocentos e vinte reais), suplementar às seguintes dotações do orçamento vigente:

Artigo 2º – A cobertura do crédito de que trata o artigo 1º far-se-á através de recursos provenientes da anulação parcial, em igual importância, das seguintes dotações: (…)

44903900.00 Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica 90.000,00
25.10.13.392.3001.1665 E3603 – Elaboração e Publicação do livro Dona Neuza “Em Memória” (Associação Comunitárias das Mu”Em Memória” (Associação Comunitárias das Mulheres
Trabalhadoras de Ermelino Matarazzo)

 

 

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