30/06/2016

cbn em residência terapeútica ermelinoA repórter Júlia Arraes da Rádio CBN esteve na Residência Terapèutica Ermelino Matarazzo para ilustrar reportagem sobre a escassez  deste modelo de tratamento para pessoas com problemas psiquiátricos antes confinados em manicômios. Abaixo, reprodução de trechos:

“Edvaldo nos convida a entrar em sua casa. Há pouco mais de um ano, ele mora na Residência Terapêutica Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista. Antes disso, passou por algumas internações no Hospital Psiquiátrico João de Deus e também morou na rua. Do hospital, lembra-se principalmente da falta de liberdade e da sujeira. Da rua, ele conta as histórias de brigas e de violência. De nada disso Edvaldo tem saudades. 

As residências terapêuticas, previstas na lei da Reforma Psiquiátrica de 2001, são um espaço criado para as pessoas com transtornos mentais que não têm para onde ir após saírem dos hospitais psiquiátricos. Junto com outros serviços da Rede de Apoio Psicossocial e outros serviços, elas são o caminho para o fechamento dos hospícios.

São Paulo precisaria do dobro de residências terapêuticas existentes para conseguir se livrar completamente dos manicômios. Atualmente, existem apenas cerca de 200 residências em todo o estado, que não dariam conta para as 4,3 mil pessoas com transtornos mentais que ainda vivem enclausuradas.

 

(…)Além do número escasso de serviços de apoio psicossocial, eles também estão mal distribuídos e concentrados nos municípios maiores.

A coordenadora de Saúde Mental do estado de São Paulo Rosângela Silveira admite que muito mais poderia ter sido feito se não fosse a lógica manicomial que ainda perdura no estado.

 Enquanto a cultura não muda, as quase 10 mil pessoas internadas nos hospitais psiquiátricos em São Paulo tentam viver com dignidade. A lei da reforma psiquiátrica completa 15 anos com poucos avanços e com grandes desafios.

Ouça a reportagem:

Fonte: CNB/imagem: mídia social

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