28/04/2019

O Estadão fez uma reportagem sobre arqueologia urbana e, dentre os exemplos, citou o estado de abandono das ruinas do Sítio Mirim entre Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista. Veja trechos:

O ambiente urbanizado foi por muito tempo considerado um caso perdido em arqueologia. Argumentava-se que o subsolo estava muito “remexido” e não havia mais nada a fazer. Com o passar do tempo, isso se verificou falso: encontra-se de tudo, desde sítios pré-históricos até vestígios de ocupações humanas mais recentes, cuja importância para se entender o passado é indispensável.

No Brasil, a arqueologia em área urbana é pouco explorada se comparada a países como Inglaterra, França e Japão. Há, contudo, uma tendência de haver mais pesquisas, em especial em São Paulo, por uma questão de amadurecimento acadêmico, administrativo e de gestão. Além disso, órgãos de preservação estão cada vez mais cientes da importância de trabalhos de cunho arqueológico.

A maior parte dos estudos hoje é relacionada a algum tipo de exigência legal. Não é 100% suficiente, mas é um ganho enorme. Basta lembrar que foram escavados, sem acompanhamento arqueológico, alguns dos pontos historicamente mais importantes da cidade para obras do Metrô nos anos 1970. Isso na Praça da Sé, na Liberdade, na frente do Mosteiro São Bento. O caso mais emblemático é do Pátio do Colégio, que só não teve o subsolo totalmente arrasado porque um arqueólogo amador, Anthero Pereira Junior, fez escavações da melhor maneira que pôde.

Por causa do mato alto, o Estado não conseguiu se aproximar há três semanas das ruínas do Sítio Mirim, em Ermelino Matarazzo, na zona leste. A situação mudou após a reportagem procurar a Prefeitura de São Paulo, que atribuiu o problema à chuva. A vegetação aparada, contudo, não é suficiente para resolver a falta de manutenção do espaço, que traz as ruínas de uma casa de cerca de 400 anos – e que estava de pé até décadas atrás.

A última obra de recuperação ocorreu nos anos 1960 e foi feita pelo Iphan. Há uma década, a Prefeitura apresentou um projeto arquitetônico para a área, enquanto um relatório de 2015 delimitou uma zona de atenção para uma ação de resgate de artefatos arqueológicos. Nos dois casos, nada foi feito. “Está completamente abandonado. A noite é perigoso”, diz o agente cultural Edson Lima, de 33 anos, fundador do Sarau Urutu, realizado no entorno das ruínas.

Fonte: Carta Capital/imagem de arquivo

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