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06/02/2015

filhos do zaire 2016Após vários ensaios na Escola Estadual Professor Leonor  Rendesi que fica no Parque Boturussu, “Filhos do Zaire”, de Ermelino Matarazzo esta pronta para desfilar dia 07 de fevereiro a partir das 19 horas na Vila Matilde. Segundo a Rede Social da entidade, ainda há vagas e fantasias para participação dos foliões. A concentração será amanhã às 17 horas em frente a Escola.

:A festa da carne, ou melhor, o carnaval das Escolas de Samba é considerado o maior espetáculo da terra.

Afrobrasileitos: Jornalista e sambista? É isso mesmo?

Rejane Romano: É isso mesmo! Mas ao contrário do que muitos pensam não são questões opostas. Minimizar ou tratar o samba de forma pejorativa nada mais é do que uma das tentativas de desvalorização do traços de nossa origem africana. O Semba que aqui no Brasil se tornou Samba é alegria, expressão corporal e tradição.

Afrobrasileiros: Como se tornou presidente de uma agremiação?

Rejane Romano: Uma longa história… Mas vou tentar ser sucinta! O samba sempre esteve presente em minha família, mas o carnaval das escolas de samba significava assistir aos desfiles através da televisão. Mesmo assim já me impressionava a dedicação, a criatividade e a complexidade dos desfiles. Eu queria entender o que levava as pessoas a se dedicarem tanto para a realização deste espetáculo. Quando fiz o curso de pós graduação decidi que esta seria minha linha de pesquisa e fiz um recorte analisando a presença feminina negra neste universo. “Como e de qual forma as mulheres estão presentes no carnaval das agremiações paulistas” era a pergunta a qual eu deveria responder. Me deparei com uma história fascinante. De mulheres que literalmente não deixaram o samba paulista morrer. Perseveraram e ainda são guerreiras e baluartes em prol do samba de raiz. Daí surgiu o desejo de fazer parte disso e ainda atrelar o empreendedorismo social. Eu, meu marido e um grupo de amigos fundamos então a Associação Filhos do Zaire com atuação na área da cultura, emprego e esporte.

Afrobrasileiros: Quais são os projetos desta Associação?

Rejane Romano: Vários. Alguns que já conseguimos colocar em prática e outros que ainda estão na mente e no coração. Aulas de percussão, capoeira, dança afro, aulas de teatro e cursos voltados para empregabilidade são alguns exemplos do que conseguimos implementar. Mas ainda almejamos muito mais… Isso sem falar no carnaval onde daqui a poucas horas vamos realizar nosso segundo desfile.

Música, dança, história, teatro… Várias vertentes culturais unidas em consonância.

Mas este “todo” não acontece ao acaso. Muitos esforços e literalmente mãos são responsáveis pelo brilho e criatividade apresentados na passarela do samba.

Para entender como este processo acontece e qual a dimensão desta demanda o Afrobrasileiros entrevistou a presidente de uma agremiação novata em São Paulo.

Rejane Romano é jornalista, especialista em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo e presidente fundadora do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Filhos do Zaire, localizada no bairro de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista.

Afrobrasileiros: Qual a atual posição da Filhos do Zaire no carnaval paulistano?

Rejane Romano: Nós somos o que a União das Escolas de Samba Paulistana – UESP chama de agremiação pleiteante. Traduzindo: somos uma escola de samba que busca integrar o Grupo IV e assim subir cada degrau até chegar ao Grupo Especial. Como pleiteantes não recebemos nenhum apoio financeiro e obedecemos a regras específicas deste grupo, sonhando para que alguma vaga seja disponibilizada e que nosso carnaval obtenha sucesso!

Afrobrasileiros: Por falar em sonhar este é o enredo de vocês este ano? Como vão tratar deste tema no desfile?

Rejane Romano: Sim, nosso enredo reflete o momento que estamos vivendo. Em 2015, para nosso primeiro carnaval trouxemos a influência da cultura africana na cultura brasileira, pois queríamos enaltecer a história de nosso povo, o povo do Zaire! Para este ano vemos este desfile como a realização de um sonho, pois em tão pouco tempo de atuação, apenas 3 anos, acreditamos que apesar das dificuldades e percalços já realizamos e vivemos tantas coisas… Até mesmo por isso vamos apresentar na avenida aquele tipo de sonho que motiva a vida das pessoas. Sonhos que independentemente do grau de dificuldade faz com que pessoas se esmerem para realizá-los. Vamos partir de uma Comissão de Frente que irá apresentar ícones dos sonhos brasileiros: Anastácia, Chiquinha Gonzaga, Lampião, Tiradentes, Zumbi dos Palmares e a jogadora de futebol Marta vão nortear as demais Alas, que vão apresentar ainda o sonho de se realizar profissionalmente, no mundo dos esportes… “Um sonho real, a Filhos do Zaire vai animar o seu carnaval” é um convite a diversão e à crença de que somos capazes e responsáveis em tornar nossos sonhos realidade.

Afrobrasileiros: Pós carnaval quais são os planos da agremiação?

Rejane Romano: Ter um espaço todo nosso é a principal meta. Identificamos o quanto nossa comunidade é carente de ações como as que planejamos, agora só falta um local para colocar estas iniciativas em prática. Como e o caso de nossa Bateria, chamada Doutores do Samba. Sou sim “coruja”, mas por onde a Doutores passa, composta por vários ritmistas com idade entre 12, 13 anos de idade, ela conquista aplausos e elogios. Meninos que preferem ir a nossos ensaios ao invés do ócio das ruas, que sonham com, quem sabe, um futuro na música. Meninos que me dão orgulho e força para continuar.

Afrobrasileiros: Qual seu sentimento às vésperas do desfile?

Rejane Romano: Nossa… Muita ansiedade! Coração acelerado, frio na barriga, insônia… Tudo junto e misturado! Costumo dizer que quero que chegue logo o dia 8 de fevereiro, um dia após o desfile. Quando estarei apenas avaliando o que já tiver acontecido!

Afrobrasileiros: Para você qual é o “Carnaval dos carnavais”?

Rejane Romano: É sempre o que estamos vivendo! E pensar que o carnaval teve origem no entrudo que nada mais era que uma forma de humilhação aos escravos… Hoje, praticamente engolido pela indústria cultural. Talvez mais uma apropriação indébita. Tenho uma opinião bem contundente quanto a isso e acredito que temos que voltar ao controle, mas além disso minha luta é para que os fazedores do carnaval tenham seu talento reconhecido e possam sim viver e se dedicar a sua arte. Afinal, quem faz o maior espetáculo da terra não pode não ser devidamente remunerado para isto, muito menos se ver obrigado a ter um emprego “formal” para pagar por sua sobrevivência.

Serviço: Desfile do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Filhos do Zaire

Data: 7 de fevereiro

Horário: 19h

Local: Ao lado do metrô Vila Matilde

Facebook: https://m.facebook.com/FilhosDoZaire/

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