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18/10/2011

O funcionário da Defesa Civil de São Paulo – que foi afastado após ser acusado de desviar donativos que iriam para o Rio de Janeiro – voltou a trabalhar para a prefeitura após quatro meses de ausência. A denúncia é do repórter da Rádio Bandeirantes Agostinho Teixeira.

Geraldo Correa deixou o cargo na Defesa Civil após ser apontado como responsável pelo desvio de donativos que iriam ao Rio de Janeiro, para atender às vítimas das chuvas que atingiram a região serrana no início deste ano.

No entanto, ele assumiu ontem a função de Supervisor de Cultura da Subprefeitura de Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital paulista.

O próprio subprefeito da região, Ademir Aparecido Ramos, admitiu que o funcionário foi recontratado para “atender” a indicações políticas. “Sim, foi indicação, de várias pessoas. Teve parlamentar que indicou”, disse.

De acordo com a denúncia do repórter, Correa distribuiu os donativos em vários bairros de São Paulo como moeda de troca política.

Resposta
Sua filha, entretanto, enviou uma carta aberta o defendendo com os seguintes argumentos:
“Sabendo que o senhor é um homem de caráter, honesto, sensível e procura sempre estabelecer a verdade. Tomei a iniciativa de apresentar a história de vida do meu pai (Geraldo Correa), chamado injustamente de “vagabundo”.
Primeiro quero pedir desculpas pela atitude e pelo comentário infeliz do meu pai sobre o senhor. Depois do episodio ir ao ar, conversamos em família e ele afirmou seu arrependimento sobre as palavras ofensivas que falou. Foi um desabafo emocional em função de como o senhor e a reportagem do Grupo Bandeirantes desmereceram o trabalho da Defesa Civil.
Na reportagem veiculada no dia 30 de maio, pelo Grupo Bandeirantes, foi ao ar a gravação onde meu pai usou expressões que o levaram ao arrependimento. Lembro do trecho que o senhor disse na rádio: “Eu não sei quem é esse individuo”. Já que o senhor não conhece o meu pai, Geraldo Correa, vou apresentar sua historia de vida.
Meu pai nasceu em 17 maio de 1954, em Ermelino Matarazzo. Filho de um pedreiro e de uma lavadeira construiu sua vida no bairro onde nasceu. Casado com a dona de casa Maria Luiza, é pai três filhos. (Eu, Rubens e Alexandre).
Iniciou cedo no mundo do trabalho. Aos 11 anos já trabalhava como servente de pedreiro, ao lado de seu pai. Aos 14 anos, ingressou na fábrica de azulejos Keralux. Quando completou 18 anos, foi registrado na fábrica das Indústrias Matarazzo, neste emprego trabalhou por 22 anos até se aposentar. Iniciou como ajudante geral tendo diversas promoções: ajudante geral, auxiliar de encarregado, encarregado, supervisor da fábrica de Ácido Sulfúrico, chefe geral da fábrica Ácido Sulfúrico e Sulfureto de carbono, quando se aposentou. Nesta última função comandava mais de 300 funcionários.

Depois de se aposentar, passou a se dedicar mais aos trabalhos voluntários que sempre desenvolveu na comunidade. Entre eles vale destacar a sua luta em defesa dos mais necessitados. Lembro do meu pai entregando leite, lutando pela abertura de creches na região, sempre muito envolvido nas questões do nosso bairro.

Outra passagem muito marcante foi à ajuda humanitária que meu pai prestava as vitimas de enchentes e desabrigados pelas chuvas, muito comum na periferia. Lembro das noites chuvosas que meu pai deixava eu e meus irmãos com minha mãe para atender as pessoas que estavam em situação de risco. O telefone tocava e ele ia ser voluntário. Ele dizia que fazendo esse trabalho estava realizando um sonho de infância, ser Bombeiro e salva vidas.
Por sua trajetória profissional e caráter solidário, em 2005, foi convidado para ser coordenador da Defesa Civil de Ermelino Matarazzo. Este convite levou em consideração sua formação, adquirida como Bombeiro Industrial no período que trabalhou das Indústrias Matarazzo. A indicação do meu pai também contava com apoio da comunidade, que sempre o respeitou por suas ações de solidariedade. Ele reuniu a família para falar do convite, e disse que na Prefeitura teria a oportunidade de fazer mais pelas pessoas que tanto precisam. De pronto recebeu nosso apoio para esse novo desafio na sua vida.
Como coordenador da Defesa Civil de Ermelino Matarazzo foram mais seis anos de trabalhos prestados a nossa comunidade e a cidade de São Paulo. Muitas vezes só consegui ver meu pai pela televisão, no atendimento à população nas grandes emergências e catástrofes da cidade. Cito algumas situações onde meu pai esteve presente:
·      No acidente do metrô na estação Pinheiros
·      Acidente aéreo com o avião da TAM
·      Desabamento na Igreja Evangélica Renascer
·      Soterramento no Pq. São Rafael
·      Soterramento no A. E. Carvalho
·      Incêndio no Café Pilão
·      Incêndio no Deposito de Borracha
·      Incêndio nas favelas nos últimos anos
·      Deslizamento Jardim Maringá
·      Enchentes na periferia como no Jardim Romano e no Jd. Pantanal
·      Monitoramento de área de risco com Pluviômetro com garrafas pet
·      Campanha de combate a enchentes
·      Confecção de Árvore de Natal com garrafas pets
A Defesa Civil de Ermelino Matarazzo é referencia na cidade de São Paulo, pelo trabalho valoroso e ajuda humanitária a população. No exercício do cargo, meu pai recebeu homenagens e condecorações da Câmara Municipal, entidades e associações atendidas por eles.  Participou de diversos cursos e é constantemente convidado a participar de palestras e curso pelo Brasil, representando a Defesa Civil.
É por essa história de vida e caráter que devem ser entendidas as expressões utilizadas por um homem simples em um momento em que viu seus valores serem atacados tão profundamente.
Eu e minha família sabemos quem é esse homem. Ele me ensinou, me instruiu a conduzir a minha vida, aconselhando-me de como me tornar uma pessoa de caráter. Ensinou-me que acima de tudo devemos prezar o nosso nome, a nossa índole. Mas essa reportagem repercutiu negativamente, manchando a sua imagem de anos dedicados a comunidade.
Minha família está sofrendo, está desestruturada emocionalmente, pois, mexeu na moral e na integridade do meu pai. Profunda é a minha tristeza e sofrimento. Ver o meu pai, que tantos anos dedicou a sua vida para a população e que por todos esses anos deixou de conviver e viver com a sua família para atender a comunidade, ter a sua imagem manchada em um momento de desabafo.
A comunidade sofrerá pela sua ausência, mas hoje pelo menos podemos tê-lo mais perto da nossa família. Eu disse pra ele: “Fica em paz, sabemos quem é o senhor, te amamos e nunca te deixaremos. Conte conosco sempre.”
José Luiz Datena, peço humildemente que perdoe as palavras ditas pelo meu pai ao senhor. Relate no seu programa a história do cidadão e do pai valoroso que Deus me deu.
Esse é o Geraldo Corrêa.”
Patrícia de Souza Corrêa

Fonte: Band/blog amigosdogeraldocorrea

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