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21/05/2009

Dois africanos foram presos em flagrante, sob acusação de estelionato, às 21h30 da última quarta-feira (20), em um hotel na região central de São Paulo. Eles negociavam a venda de um líquido que, segundo eles, transformava papel preto em dólar.

A abordagem foi feita por policiais civis do 62º Distrito Policial (Ermelino Matarazzo), que, por volta das 11 horas de ontem, haviam recebido a visita de um comerciante guarulhense, de 50 anos. O homem desconfiou de uma negociação que lhe foi proposta por um conhecido de origem africana, que conhece como “Valentim”, e pediu a ajuda da polícia.

Segundo o comerciante, no próprio dia 20, ele se encontrou com “Valentim” em uma padaria da Vila Paranaguá visando trocar R$ 99 mil por dólares levados pelo africano – a um câmbio de R$ 1,80. A troca foi feita e o comerciante foi para o carro, onde percebeu que, ao invés de dólares, o envelope que tinha nas mãos guardava apenas pedaços de papel pintados com uma espécie de tinta preta.

O comerciante ligou para “Valentim”, que conhecia havia seis meses – e com quem já realizara, por duas vezes, o mesmo tipo de transação, embora com valores menores –, e pediu uma explicação. “O africano lhe disse que os dólares provinham de uma Organização Não Governamental (ONG) africana e que chegavam ao Brasil camuflados dessa forma, para não serem rastreados”, contou o delegado responsável pelo caso, Marco Aurélio Bolzani, do 62º DP.

A única solução, segundo o africano, era a compra de um líquido que retirava a tinta preta da nota sem danificar a impressão original. O preço era alto: R$ 22 mil, e o comerciante, sem saída, aceitou fazer a negociação naquela mesma noite, em um hotel da rua Frei Caneca, na Consolação, na região central da Capital.

Sem sequer desconfiar da presença policial solicitada pelo “cliente”, o sul-africano P.N., de 27 anos, vestindo uma calça jeans e uma camiseta, chegou ao saguão do hotel com uma caixa de madeira nas mãos. Ao se encontrar com o comprador, que levara os R$ 22 mil para comprar o líquido – conforme a polícia o orientara –, P.N. mostrou o conteúdo da caixa: uma garrafa de gesso branco, vaidosamente protegida por tufos de algodão, e deu as recomendações de manuseio do líquido. “Ele chegou a afirmar que o líquido de dentro da garrafa só poderia ser aberto em temperaturas abaixo dos 6ºC, tudo para a vítima não perceber que o que tinha ali dentro era água”, disse Bolzani.

A polícia prendeu também o camaronês M.M.I., de 24 anos, que estava hospedado no mesmo quarto do sul-africano, no próprio hotel em que ocorreu a tentativa frustrada de negociação. “Valentim”, entretanto, não foi localizado e, tampouco, os R$ 99 mil trocados pelos falsos dólares.

A polícia checou a situação diplomática dos dois no País e constatou que são refugiados, estando, portanto em condições legais. Ambos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, já que não podem permanecer em carceragens comuns.

Serviço – Quem tiver informações sobre o paradeiro de “Valentim” deve ligar para o Disque Denúncia (181). O denunciante não precisa se identificar.

Fonte: SSP -SP
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