23/12/2013

Três policiais militares acusados de executar um homem que deveriam socorrer tiveram o julgamento que os inocentou cancelado e vão ser submetidos novamente a um tribunal do júri em 2014, segundo reportagem do Fantástico deste domingo .

Os três policiais da Rota, espécie de força de elite da PM paulista, foram absolvidos em julgamento realizado em novembro de 2012. Eles eram acusados de matar em maio daquele ano Anderson Minharo, um homem que era transportado na viatura deles após ter sido baleado em uma troca de tiros em um estacionamento de um restaurante, na Zona Leste de São Paulo. Os agentes conduziam o rapaz ao Hospital Ermelino Matarazzo, na mesma região, para receber cuidados médicos.

De acordo com a investigação, no estacionamento, uma quadrilha discutia a libertação de bandidos das cadeias de São Paulo. No caminho até o hospital, os policiais pararam no acostamento da rodovia Ayrton Senna. Segundo a promotoria, foi nesse momento que ocorreu a execução.

O caso foi denunciado por uma moradora em 28 de maio daquele ano. Ela ligou para o telefone de emergência da Central de Operações da Polícia Militar (Copom), o 190, para denunciar que policiais retiraram um homem de uma viatura e disparam contra ele. A versão oficial é de que Minharo foi levado ainda com vida para o hospital, mas não resistiu.

“Ó, moço, eu tô aqui na Via parque e os policial desceu um homem da viatura e deu tiro nele (sic)”, contou a mulher ao atendente.

A mulher demonstra estar apavorada com a situação, mas não para de contar a série de disparos ouvida. Ela também descreve a partida dos policiais. “Ele acabou de jogar ele dentro do carro, acabou de tirar ele do chão e jogaram dentro do carro, mortinho. Acabou. Agora já estão indo embora, é da Rota sim, deu pra ver. É viatura da Rota”, diz.

“Moço, foi uns dez tiros, viu”, disse ao atendente do Copom a mulher, que, depois de prestar depoimento, foi incluída no programa de proteção à testemunha e mudou de endereço. “Olha, só Deus na vida desse homem, se ele sobreviver, para contar a história.”

No local onde a testemunha disse ter ocorrido a execução, uma câmera de segurança filmou a viatura da Rota parada por 12 minutos no mesmo horário da ligação ao 190. Os três policiais foram presos.

Segundo os policiais, a parada ocorreu porque um deles sentia fortes câimbras. “Ele não estava conseguindo suportar as dores. Como nós já estávamos indo pro PS [Pronto Socorro], eu até questionei ele: ‘Você não consegue segurar a dor ate chegar no PS?’. Ele disse que não”, afirmou o sargento Carlos Aurélio Thomaz Nogueira.

O oficial que teria sentido as câimbras reitera a versão. “Permanecemos ali no local durante um certo tempo até que eu me recuperasse das câimbras e retornasse os movimentos da perna normal, tendo colocado o individuo de novo na viatura e tendo prosseguido até o Hospital Ermelino Matarazzo.”

Os policiais negaram ter havido qualquer tipo de disparo. “Não havia condições daquela senhora que ligou pro Copom, de ver o que ela disse que viu na distância que ela estava. Ali onde ela morava é uma ‘biqueira’ de tráfico de entorpecente. E todos nós sabemos que noRio de Janeiro como em São Paulo, os meliantes soltam rojões avisando que a polícia está próxima. E o sargento parou ali na Ayrton Senna porque um policial tem problema na perna. Nós provamos isso com documentos”, disso o advogado dos três, Celso Vandramini.

A Justiça do Estado de São Paulo, no entanto, acolheu o pedido do Ministério Público para que o julgamento fosse anulado.

Segundo o promotor Francisco José Tadei Cembranelli, isso ocorreu porque a “decisão dos jurados foi absurdamente contrária à prova”, que foram classificadas como “evidentes” e “comprometedoras”. “Somente nessa situação que o legislador permite que uma decisão do júri seja anulada”, afirmou.

Fonte: CBN/imagem ilustrativa

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