18/10/2013

A manifestação era contra a reintegração de posse de um terreno invadido na Zona Leste de São Paulo. E os manifestantes decidiram parar a linha de trens. A confusão durou seis horas e só terminou após a chegada da Tropa de Choque.

Eram 20h30 quando a Tropa de Choque da Polícia Militar chegou para reforçar o policiamento nos arredores do conjunto habitacional em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste.

Assim como aconteceu à tarde, os manifestantes voltaram a colocar fogo nos trilhos da Companhia de Trens Metropolitanos.

Para retomar o controle das ruas, a polícia disparou bombas de efeito moral e balas de borracha. O confronto seguiu no viaduto sobre a linha férrea. De volta às ruas, mais bombas de gás e tiros de bala de borracha.

Um pouco antes das 22h, a Tropa de Choque foi embora. A situação parecia controlada. Logo depois, a força tática voltou e as viaturas posicionaram em cima da ponte que dá acesso à comunidade. O confronto acabou por volta das 23h.

A manifestação começou no fim da tarde. Cerca de 200 moradores de uma área invadida na Zona Leste de São Paulo bloquearam a linha de trem. Vândalos incendiaram barracões da CDHU, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo.

Sete estações da Linha Safira da CPTM, que liga a Zona Leste ao Centro da cidade, fecharam.

Segundo a polícia, o grupo é contra a ordem da Justiça de reintegração de posse dos terrenos ocupados por cerca de 150 famílias.

A área invadida pertence à CDHU. Em nota, a empresa disse que os terrenos foram ocupados em setembro e que serão utilizados para a construção de melhorias para o bairro. Ainda segundo a empresa, alguns dos manifestantes serão atendidos pelos projetos de habitação do Estado.

Inicialmente, a CPTM fechou por segurança apenas esse trecho, mas a interdição foi sendo ampliada, alcançando sete estações da Linha Safira. O bloqueio teve reflexo também na Linha 11-Coral (Luz-Estudantes), com maior lotação nas plataformas de embarque. O Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese) foi acionado, mas os ônibus não conseguiam passar por causa da interdição na Rua Doutor Assis Ribeiro.

Pouco antes das 18h, a PM usou bombas de efeito moral para liberar a via e a linha férrea. Os manifestantes correram e se dispersaram pela região. Alguns jogaram objetos contra os policiais. Um grupo colocou fogo em instalações da CDHU perto da linha de trem onde ficavam as áreas de atendimento à comunidade. As chamas se espalharam e uma coluna de fumaça tomou conta da região.

Os bombeiros conseguiram apagar os incêndios que impediam a circulação de trens e veículos. As estações começaram a ser reabertas e os trens a circularem pouco antes das 20h. Um pouco depois, policiais da Força Tática e do Choque voltaram a usar bombas para dispersar grupos na região da Rua Doutor Assis Ribeiro. Até as 20h50, não havia informações sobre presos ou feridos durante a manifestação.

Reintegração de posse
A CDHU informou, por meio de nota, que 15 áreas no núcleo União de Vila Nova, destinadas à implantação de praças, ruas e escolas, foram invadidas entre os dias 6 e 7 de setembro por moradores da região. “Para garantir a conclusão do projeto, a CDHU ajuizou ação de reintegração de posse, que foi deferida pela Justiça”, diz o texto.

A companhia afirma que a invasão das áreas com destinação social  “afeta  diretamente a população  local  e  prejudica  o  processo  de  regularização fundiária do núcleo.”  A nota ainda diz que os invasores são, na maioria, provenientes da própria União de Vila Nova e de regiões adjacentes. E que parte dessas áreas “já está sendo atendida pela urbanização”. A CDHU alega que pediu à Justiça a reintegração para concluir o projeto.

Confira a íntegra da nota divulgada na tarde desta quinta-feira:

“Em  relação à manifestação  na Avenida Assis Ribeiro, na Zona Leste da Capital,  a  Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) informa:

Entre  os dias 6 e 7 de setembro, foram invadidas quinze áreas no núcleo União  de  Vila Nova, destinadas a implantação de praças, ruas e escolas. O núcleo  é  uma  ocupação  irregular  que está sendo urbanizada pela CDHU. A intervenção  já  beneficiou  cerca  de  9 mil famílias com novas moradias e obras  de infraestrutura urbana como implantação de redes de água, esgoto e energia  elétrica,  iluminação  pública,  pavimentação de ruas, paisagismo, sistema de lazer, canalização de córregos e sistema de drenagem.

A  invasão  dessas  áreas  com  destinação  social  afeta  diretamente a população  local  e  prejudica  o  processo  de  regularização fundiária do núcleo, que vai garantir a cada morador a matrícula de seu imóvel.

Os invasores são, na maioria, provenientes da própria União de Vila Nova e  de  regiões  adjacentes.  Portanto,  parte  já  está sendo atendida pela urbanização.  Para  garantir a conclusão do projeto, a CDHU ajuizou ação de reintegração de posse, que foi deferida pela Justiça.

Projeto  de  Urbanização Integrada – O Projeto de Urbanização é uma ação integrada  do Governo do Estado desenvolvida pela CDHU em uma área de cerca de  908.000 m², onde estão localizados os núcleos União de Vila Nova e Vila Nair  e  o  empreendimento  Vila  Jacuí. Trata-se de um projeto completo de atendimento habitacional, que envolve a construção de moradias e a execução de  obras  de  urbanização  como:  implantação  de  redes de água, esgoto e energia  elétrica,  iluminação  pública,  pavimentação de ruas, paisagismo, sistema  de  lazer,  bem  como obras estruturais para evitar enchentes, com canalização dos córregos e sistema de drenagem.

Em  áreas  destinadas  a  equipamentos  sociais, por meio do projeto, já foram  implantados  um parque central, quatro escolas estaduais, duas EMEI, um centro de educação infantil, uma creche, duas unidades básicas de saúde, uma  Casa  de  Convivência  dos Portadores de Deficiência, um Centro Social Marista Justino e um Centro de Recuperação e Educação Alimentar.

Outra  ação  desenvolvida  no  local  é  a  recuperação das fachadas dos imóveis,  cujas  paredes  externas foram rebocadas, chapiscadas e pintadas, conforme  projeto do arquiteto Ruy Othake. Atualmente, estão em curso ações para a regularização fundiária do núcleo União de Vila Nova.

A  CDHU também desenvolve com a comunidade vários projetos sociais, como a  Cooperativa de Reciclagem Nova Esperança, a Escola de Artes e Ofícios, o Viveiro  Escola.  São  frentes  de  atuação  voltadas à cidadania, cultura, promoção   da   autonomia   e   emancipação   comunitária,   requalificação profissional, geração de renda e sustentabilidade.”

Fonte: G1/Rede Globo/imagem: reprodução

Comentários

VEJA TAMBÉM