09/04/2018

Em março a revista Marie Claire (Editora Globo) convidou mulheres emblemáticas, que abortaram ou não, a posar pela causa da legalização do aborto. E uma das convidadas foi a estudante Rebeca Leite, moradora de Ermelino Matarazzo, que recebeu grande repercussão na mídia em virtude de sua decisão. Abaixo, trecho da reportagem:

No fim do ano passado, o caso da estudante Rebeca Mendes da Silva Leite, 31 anos, reacendeu a polêmica em torno do tema. Em novembro, ela pediu à Justiça brasileira o direito de interromper a gravidez do terceiro filho (já é mãe de Thomas, 9, e Felipe, 7) na quinta semana de gestação. Moradora do bairro de Ermelino Matarazzo, na periferia de São Paulo, trabalhava até então fazendo análise para o IBGE, com um salário de R$ 1.200 por mês. Recebia do ex-marido uma pensão de R$ 600. “Sou mãe solteira, lutei para entrar na faculdade e dar uma vida melhor aos meus filhos. Não quis abrir mão disso porque poderíamos passar fome. Por isso optei por não ter mais uma criança.” O pai, conta, foi o primeiro a dizer que não queria mais um filho.

Com a decisão tomada, começaram a pesquisar a maneira mais segura de fazê-lo. Junto com a Anis – Instituto de Bioética, ONG que milita pelos direitos reprodutivos no Brasil, entrou, então, com uma ação judicial no Superior Tribunal Federal (STF). O pedido foi negado. Com o apoio da ONG, realizou o procedimento na Colômbia, onde o aborto é legal desde 2006 para mulheres que alegam não ter condições de criar os filhos.

Se, por um lado, Rebeca foi alvo de críticas pela decisão, por outro, recebeu apoio de muitas feministas. A hashtag #PelaVidaDeRebeca virou um símbolo da causa. Em dezembro, 172 atrizes, advogadas, sociólogas e antropólogas criaram um manifesto para defendê-la. No texto, afirmaram que a intervenção, mesmo criminalizada por lei, “é uma prática corriqueira e que coloca em xeque a vida das mulheres brasileiras de todas as classes, regiões e credos. E ainda as humilha, por ser realizada na clandestinidade”. As atrizes Camila Pitanga e Eliane Giardini, a professora Heloisa Buarque de Holanda, a antropóloga Alba Zaluar e a filósofa Marcia Tiburi são algumas das que assinaram o documento. Quem também apoia a legalização é Luciana Temer, 48 anos, advogada à frente do Instituto Liberta, que comandou a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura de São Paulo, na gestão Fernando Had­dad, e ocupou o cargo de delegada da mulher em Osasco. “A prática é uma realidade no Brasil. Quem morre? A mulher pobre que faz na clandestinidade de forma precária, muitas vezes deixando sem mãe seus outros filhos.”

 

http://globotv.globo.com/editora-globo/revista-marie-claire/v/abortosemcrime/6642211/

Fonte: https://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2018/04/abortosemcrime-marie-claire-na-luta-pela-descriminalizacao-do-aborto.html/ imagem: reprodução

 

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