13/06/2011

O governo federal quer acabar, até 2016, com as atividades que mais colocam em risco a vida de crianças e adolescentes, como trabalhar em casa, nas ruas e nas lavouras. Porém, a meta ainda está muito distante. Ontem, exatamente no Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, o que se viu foi o contrário no Grande ABC: adolescentes de 15 e 16 anos aos montes nas ruas de Santo André e São Bernardo para divulgação de empreendimentos imobiliários de alto padrão e de feirão de carros.

A equipe do Diário flagrou pelo quarto fim de semana a atividade ilegal nas esquinas, cruzamentos e vias de grande movimentação de veículos. O Estatuto da Criança e do Adolescente traz em seu artigo 60: “É proibido qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos”.

Todos fingem desconhecer ou não ver, inclusive os órgãos públicos. E a prática prolifera na região, apesar de medidas administrativas e judiciais do Ministério Público.

A jornada informal de trabalho é de oito horas, aos sábados e domingos, segundo os adolescentes. Geralmente, das 9h às 18h, com paradas para o almoço e descansos improvisados – as empresas de promoções e eventos que contratam a mão-de-obra irregular não oferecem alimentação nem água.

O valor pago é de R$ 30 por dia trabalhado, acertado na semana seguinte pela empresa terceirizada. No entanto, são descontados R$ 10 – R$ 5 por dia – pelos motoristas de vans que levam os adolescentes aos pontos de divulgação. Além da exploração do trabalho infantil, ainda cobram pela locomoção.

“Eu quero muito trabalhar.” A frase é de um jovem de 15 anos, residente em Taboão da Serra, em São Paulo, que ontem distribuía folhetos do feirão da Chevrolet aos motoristas na Avenida Dom Pedro, sentido São Caetano. Os adolescentes, entre 15 e 18 anos, reclamam da falta de oportunidades no mercado, inclusive na condição de aprendiz.

Com o dinheiro, o rapaz paga a passagem para visitar a mãe em Ermelino Matarazzo, na periferia da Capital, além das prestações do celular. Ele mora com o pai, a madrasta e uma irmã. E contou que passa dificuldades. “Outro dia, fui para uma vaga de empacotador em mercado, mas me disseram que só pegam com 16 anos. Chorei porque preciso de emprego”, afirmou o adolescente.

Nenhum adolescente entrevistado disse conhecer o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Também não sabiam da data de ontem. “Pensei que fosse o Dia dos Namorados”, disse uma delas.

Fonte: Diário do Grande ABC, foto ilustrativa

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