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14/04/2014

Os óculos escuros escondiam os olhos avermelhados e com  secreções de três pessoas com sintomas de conjuntivite que esperavam o atendimento com o clínico geral na tarde da última sexta-feira, na recepção   apertada da AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Ermelino Matarazzo, na Zona Leste.

Os pacientes que chegavam ao Hospital Municipal Ermelino Matarazzo, no prédio ao lado,  eram orientados a procurar  a AMA, que funciona como um anexo do centro médico. A explicação era de que só com o encaminhamento eles  poderiam ser atendidos pelo oftalmologista.

Para entender a dinâmica do atendimento, a reportagem seguiu os passos da técnica de lazer Laura Juliano Melo da Silva, de 24 anos, até ela  sair do consultório médico.

Laura chegou à AMA às 13h45. Até as 15h ela  sequer tinha passado pela triagem, onde é feita a aferição da pressão e da temperatura. Por volta das 16h, a paciente foi finalmente chamada para a consulta com o clínico geral.  Ali ela deveria pegar um encaminhamento para o oftalmologista, mas saiu da sala com uma atestado médico que a dispensava do trabalho por quatro dias e uma receita de colírio.

“Fui examinada com uma espátula de madeira. A médica disse que era viral. Vou passar com um especialista só se eu piorar muito”, disse.

O eletricista Gregory Cipriano, 29, que estava na mesma fila de Laura, e a dona de casa Miraneide  Amorim, 27,  viveram a mesma situação. “Lá no hospital eles mandam a gente direto para cá. Estou aqui desde às 14h, agora já são 16h e continua na fila”, disse Gregory.

 

Família aguarda há um mês consulta com especialista

As queixas ao atendimento prestado a pacientes com conjuntivite no Hospital Municipal Ermelino Matarazzo são uma constante. No último dia 24, o técnico em bombas industriais Claudionor  Ferreira de Lima, de  49 anos, disse ter vivido uma dia de fúria com a sua filha Mirella, de 8 anos, e a sua esposa Mariana Guedes, 40. Segundo ele, há mais de um mês a família não consegue atendimento adequado na rede de saúde e a última tentativa foi no hospital. Segundo Claudionor, depois de esperarem cerca de cinco horas para passar por um oftalmologista, a família saiu do ambulatório sem a consulta. A Secretaria Estadual de Saúde justificou que a família foi chamada para o atendimento, mas  não respondeu. Claudionor rebateu dizendo  que outros cinco também foram dispensados pela unidade sem a consulta.

 

Análise

 

Paulo Augusto de Arruda, Professor da Unifesp

 

Diagnóstico só com aparelhos

Existem vários tipos de conjuntivite. Não há como identificar o tipo de doença nem dar um diagnóstico preciso sem os aparelhos adequados. Qualquer médico precisa ter pelo menos  uma lâmpada de fenda com tornômetro, uma  tabela de acuidade visual e um oftalmoscópio para examinar o fundo de olho.

MAIS

‘Clínico é capacidade para dar atendimento’

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o  clínico geral é capacitado para dar o primeiro atendimento ao paciente com suspeita de conjuntivite.  Sobre a crítica do professor  Paulo Augusto de Arruda Melo, a secretaria  explicou que, quando necessário ou há encaminhamento do clínico, os oftalmologistas fazem os exames com os equipamentos  específicos.

Fonte: Diário de S. Paulo

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