23/07/2017

passarela assis ribeiro keraluxReportagem do Portal UOL utilizou o exemplo de um motoboy de Ermelino para ilustrar diversas transgressões de trãnsito passíveis de multa e que muita gente não sabe. Leia abaixo o trecho onde é revelado que a passarela que atravessa a linha da CPTM na região do Keralux é a mais multada por condução indevida de motocicleta:

Fábio (nome fictício) tem duas possibilidades quando sai com sua moto do local onde trabalha, um delivery de coxinhas na Vila Cisper (zona leste de São Paulo), se a entrega for na região do Jardim Keralux. Uma, legal, faz com que percorra 8,3 km. Outra, fora da lei, tem uma quilometragem menor (2,1 km), mas exige uma ilegalidade: passar com sua motocicleta por cima da passarela que atravessa a avenida Assis Ribeiro e a linha férrea da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Ele sempre prefere a segunda hipótese.

“A gente precisa muito fazer a entrega rápido porque o cliente exige”, afirma. “Ou você faz muita volta para um caminho curto. Se optasse por não passar pela passarela, levaria meia hora. Por esse caminho, faço em dez minutos.”

Percorrer passarelas de pedestres é uma das multas previstas no Código Nacional de Trânsito de difícil aplicação (não pode ser detectada por radares, por exemplo). A infração é considerada gravíssima, com sete pontos na carteira de motorista e multa de R$ 880,41.

Os registros por excesso de velocidade lideram o total de multas, com 40,6% das 3.405.317 aplicadas até março deste ano. Outras não são tão frequentes. São gestos simples como o colocar de um braço para fora do veículo ou ter o cachorro para o lado de fora do vidro do carro. Ou até mesmo agressivas, como jogar água em um pedestre na calçada.

“Nunca ninguém terá saco para sentar e ler o Código de Trânsito todo, pois é um catálogo minucioso para tentar normatizar mil transgressões possíveis. São quase 300 artigos e quase ilegível”, afirma o especialista em comportamento de trânsito Eduardo Biavarti. “Na raiz da questão, está que somos muito violentos. Nossa alegria esfuziante esconde uma violência cotidiana muito brutal. No trânsito, damos licenças que custam a vida do outro –e o cotidiano as transformam em coisas opressoras.”

 

O caso de Fábio, por exemplo, embora seja inconcebível pensar em uma moto em uma passarela de pedestres, expõe um outro lado: o de como certas áreas ficam isoladas de outras, embora sejam bem próximas. O caminho que ele percorre entre a casa de coxinhas e o local de entrega seria melhor, para quem dirige, se um plano de engenharia de tráfego enxergasse que não há comunicação viária entre os dois trechos. É muito mais rápido chegar a pé em alguns pontos do que por meio de um automóvel.

Isso explica por que a passarela que atravessa a avenida Assis Ribeiro seja a com mais aplicação de multas por esse motivo em São Paulo. Foram cinco casos neste ano, o que representa pouco perto do que acontece com frequência. “Tem dia que a gente precisa fazer isso umas dez vezes”, diz Fábio.

“O correto é desmontar da motocicleta”, afirma Biavarti. “Para proibir, coloca um cone, um concreto, um obstáculo para a moto não passar.”

Ele afirma que a passarela de pedestre em si já é um absurdo, um erro de design humano, que é piorado com o tráfego ilegal. “É uma invasão do espaço de pedestre. É um exemplo extremo da apropriação de espaço público de uso exclusivo. A legislação não proíbe que atravesse empurrando, mas montado. É um jeito de ‘deixar eu me dar bem, chegar logo’. Mas você não vai fazer isso se você tiver vias com retornos próximos.”

Fonte: Portal UOL/imagem Google Street

Comentários