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06/04/2014

Na edição digital da Revista Carta Capital Ermelino Matarazzo  é citado na matéria “A periferia na visão de um poeta”. O poeta, no caso, é Luan Luando que teve seu talendo despertado a partir de sarau no Campo Limpo. Acompanhe trecho:

Em seu entendimento, Luan não enxerga o sarau só como literatura. “Sarau é mais amplo. É de debate, exposição, mostras, conversas. É um espaço de convívio, uma força política inteligente que podemos usar para reivindicar bibliotecas, centros de audiovisual, de artesanato, entre outras coisas.” E vai além: “Temos que escrever as leis de incentivo popular, entregar nas mãos de políticos e exigir que eles aprovem. Então daremos um salto enorme na educação popular. Paulo Freire, onde ele estiver, vai pular de alegria dizendo ‘opa, esses caras ouviu o que eu falei’”.

A visão critica de Luan não esta ligada apenas a questões culturais. Para ele, a educação necessita de investimentos e (por que não?) uma reforma. “Quando eu estudava não tinha tanta grade. Fui na Fundação Casa e há menos grades que a escola pública estadual. O Governo do Estado de São Paulo transformou a escola em presidio. Os professores não tem estrutura física, às vezes, intelectual para ensinar, por uma deficiência da própria academia, que oferece uma formação mentirosa e defasada. Fica difícil ensinar em uma escola que não tem giz, não há um laboratório, uma biblioteca atraente. Quem se forma no terceiro ano não sabe ler. Este também é um sistema de cárcere.”

Os movimentos e coletivos notaram essa realidade das escolas públicas e estão agindo, promovendo saraus dentro delas. Saraus como Cooperifa, Vila Fundão e do Binho, por exemplo, executam estas ações. Outra manifestação importante é o Sarau dos Mesqueteiros que acontece dentro da escola Jornalista Francisco Mesquita, em Ermelino Matarazzo, zona leste da Cidade. “As pessoas estão aprendendo fora da escola. Tudo que tenho de formativo hoje aprendi na rua, e em espaços formativos, nada na escola, e isso é feio.”

Para Luan, a lógica do serviço público é não funcionar. “Enquanto os ditadores não saírem do poder, não teremos uma educação de qualidade. Temos que tirar as grades das escolas. Eu vivia dizendo para os meninos ficarem na escola porque é bom. Agora com que razão eu vou ficar defendendo esta instituição?”, questiona. “A instituição privada ministra uma formação fragmentada. Quem estuda pedagogia em uma universidade de mais acesso normalmente não se aprofunda. Às vezes faz faculdade só por fazer, para se adaptar. Esses professores dificilmente darão aula em uma escola de classe média alta. Estes têm os melhores educadores. Temos uma geração de professores frustrados que não acreditam mais em lecionar.”

Por tantos motivos, Luan afirma ser importante a execução de saraus dentro das escolas. Mesmo sabendo que ela não está preparada para lidar com a autonomia dos alunos, pois, a partir do momento em que eles tomam gosto pelo conhecimento, se tornam questionadores. E a educação ainda é reacionária. Eles estão lá só para ouvir o “mestre” que se posiciona a frente da sala.

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