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16/02/2014

No Portal de uma das mais tradicionais mídias da Espanha, o EL Pais, o Sarau dos Mesquiteiros do Jardim Verônia e Periferia Invisível da Vila Cisper são citados como novo fenômeno da períferia de São Paulo anciosa e carente de cultura. Abaixo, trechos da reportagem:

A voz das periferias, comumente associadas a expressões artísticas do mundo do hip hop e do samba, arranha versos falados e cantados em saraus literários há mais de dez anos. Alguns encontros acontecem no centro de São Paulo, em espaços como livrarias, bibliotecas públicas ou SESCs (instituição sem fins lucrativos com espaços para atividades esportivas e culturais). Outros, como os saraus desta reportagem, são realizados nas periferias, em bares, casas particulares e CEUs (escolas de periferia com estruturas esportivas e recreativas). Tem poesia, mas também maracatu, bumba meu boi, teatro, pandeiros e palmas. Os temas são variados: amor, drogas, violência, racismo, mulheres, infância, dor, educação… Mas ainda que fosse possível explicar o que é um sarau, poucos dos que ocorrem em São Paulo se encaixariam em uma definição engessada. Apesar do dicionário garantir que se trata de uma “festa noturna, dentro de casa, onde se dança executa música e recita”, os que vem sendo realizados nas periferias vão além.

(…) Alguns encontros têm a mesma tradição e certa periodicidade, como os saraus da Cooperifa (Chácara Santana, periferia da zona sul), de Paraisópolis (na maior favela do Morumbi, zona sul de São Paulo), do Beco dos Poetas (itinerante), dos Mesquiteiros (zona leste)… Opções não faltam e quase todas estão reunidas na Agenda Cultural da Periferia, organizada pela ONG Ação Educativa. Apesar disso, os coordenadores do coletivo Periferia Invisível, na zona leste de São Paulo, opinam que não é apenas uma questão de que existam estes espaços, mas de que a comunidade tenha a cultura como um hábito e não como algo alheio a ela. “A vida na periferia é mecânica, são muitas horas para ir e voltar do trabalho e o que sobra de tempo, televisão”, explica Bruno Veloso, um dos criadores do espaço da Vila Císper, próxima à Vila Guilhermina. Binho Santana, outro membro do coletivo, relaciona a crítica da falta de espaços aos rolezinhos. Para ele, “os rolezinhos não surgem politicamente mas viraram luta social depois da repressão. O discurso da falta de espaço vem dos cientistas sociais que querem atribuir um valor a um movimento que nem se preocupa com isso. Mesmo se houvesse uma casa de cultura, os rolezeiros não viriam”, garante.

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