SCA30/06/2017

O cineasta gaúcho André Sturm, de 50 anos, atual Secretário da Cultura da gestão do Prefeito João Dória, em entrevista à Revista Veja se disse vítima de uma cilada por parte do Coletivo que ocupa o Centro Cultural Ermelino Matarazzo e que sua resposta foi em decorrência de estar com os nervos abalados. Abaixo acompanhe trechos da entrevista:

O senhor se arrepende de ter dito que iria “quebrar a cara” de um integrante do coletivo que ocupa o Centro Cultural Ermelino Matarazzo? Ou acha que foi vítima de uma cilada?

É claro que foi uma cilada, mas usei de linguagem errada. De qualquer forma, não tencionava de fato partir para a agressão. Disse que ia quebrar a cara muito mais no sentido de “Você está louco?”. Tanto que não me levantei da cadeira. Quem levantou e veio na minha direção, para falar “Quebra a minha cara”, foi o garoto, que estava me gravando. Eu quis regularizar a situação do coletivo e ofereci um novo contrato, com a possibilidade de que explorassem comercialmente o lugar – desde que com ingressos populares e mantendo 60% das atividades gratuitas. A partir desse momento, a conversa degringolou. E ele me pegou em um dia em que eu estava com os nervos abalados.

Por que o senhor estava com os nervos abalados?

Três dias antes, fui a uma audiência pública na Câmara Municipal sobre programas da Cultura. Eu não era obrigado a comparecer, mas fui porque querdepois, acabaram tendo um efeito positivo. Recebi apoio de muita gente. Vi que havia uma maioria silenciosa a meu favor.

Na conversa gravada pelo grupo de Ermelino Matarazzo, o senhor diz que conseguir dinheiro para a cultura é um “pesadelo”. Ainda pensa assim?

O que eu quis dizer é que os agentes culturais precisam se mexer para encontrar formas de levantar recursos. Não dá para achar que todos vão ser 100% bancados pelo Esto dialogar. Passei uma hora e quarenta sendo ofendido pela plateia, formada por militantes. Ninguém ali tinha propostas. Queriam me atacar. Quando pude, falei por três ou quatro minutos, acharam um absurdo, pediram direito de resposta, falaram de novo. Quando peguei o microfone outra vez, não deixaram que eu dissesse nada. Pedi então que encerrassem a sessão e tentei sair, mas fui perseguido por pessoas que gritavam “Pega, não deixa ele fugir”. Uma moça diz, em um vídeo feito no momento, “Quero dar um tiro nele”. Tive que me trancar no cafezinho da Câmara, eu e quatro pessoas da minha equipe, e ficar lá por meia hora, protegido por uns dez policiais.

 

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