14/01/2019

Em mais um passo à esquerda, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, resolveu trocar o Secretário de Cultura André Sturm e nomear o produtor cultural Alê Youssef para o lugar dele.

Youssef tem um vasto histórico político-partidário ligado à esquerda. Ele foi coordenador de Juventude na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, que era do PT, depois foi candidato a deputado federal em 2010 pelo PV, participou da criação da Rede Sustentabilidade e do movimento Agora.

Atualmente é Diretor da Associação Cultural Acadêmicos do Baixo Augusta, que tem um espaço na Rua Augusta e cuida do bloco carnavalesco que sai na avenida. Youssef também é comentarista do CBN-São Paulo.

A nomeação é mais um passo à esquerda depois que Covas escolheu o deputado Carlos Bezerra – ligado à ala mais progressista do PSDB – pra comandar a pasta de Esportes.

Com as novas escolhas, Covas quer dar um ar mais social para a gestão dele, se descolando do antecessor João Doria, que não dialogava com certos setores ligados à esquerda.

SCA

André Sturm ficou pouco mais de dois anos no cargo. Ao longo desse período sob as gestões de Bruno Covas e João Doria, se envolveu em polêmicas e foi alvo de protestos.

Em cinco situações, Sturm teve gravações de reuniões ou negociações que participou divulgadas. Ameaçou ‘quebrar a cara’ de um agente comunitário, foi acusado de assédio contra uma subordinada, bateu boca com outro secretário, interferiu na concorrência para patrocínio do carnaval de rua e foi acusado de chantagear o Instituto que administrava o Theatro Municipal.

Nos bastidores, membros do alto escalão diziam que a permanência dele no cargo depois de todas essas confusões era ‘inexplicável’.

Quando André Sturm foi escolhido para ser Secretário de Cultura da gestão João Doria, a grande novidade das eleições de 2016, o nome foi festejado.

Cineasta premiado, Sturm havia ajudado a salvar o Cine Belas Artes e emplacou exposições populares quando comandou o MIS, Museu de Imagem e Som, como “Renato Russo”, “Castelo Rá-Tim-Bum” e “Silvio Santos vem aí”.

Mas do momento em que decidiu entrar de cabeça na política em diante, a biografia mudaria.

Logo no começo do ano, reclamando de ter recebido um rombo da gestão anterior, Doria mandou congelar mais de 40% dos repasses para a Secretaria de Cultura, afetando programas de teatro e dança.

Ativistas culturais foram às ruas na primeira grande manifestação da gestão tucana, e Sturm foi o alvo do protesto e também foi vaiado na Câmara dos Vereadores.

Meses depois, o estopim dos protestos culminaria na invasão e ocupação da Secretaria de Cultura, em um mais um pedido pela saída de Sturm.

Foi nessa mesma época que a CBN revelou que Sturm participou de negociação para direcionar a escolha da Dream Factory como patrocinadora do Carnaval de rua da cidade.

O Ministério Público acusou o secretário de ter cometido ato de improbidade administrativa. Ele alega que agiu dentro do edital.

No mesmo mês, Sturm foi gravado nos corredores da prefeitura batendo boca com um colega do alto escalão, Milton Flavio, Secretário de Relações Governamentais.

O temperamento explosivo já tinha sido revelado dias antes, quando ele prometeu “quebrar a cara” de um agente cultural de Ermelino Matarazzo.

Em outra gravação, que virou investigação na Controladoria, Sturm ameaça demitir a assessora dele Lara Pinheiro.

Na CBN, André Sturm comentou as três confusões, disse que não demitiria Lara e que pediu desculpas sobre os outros dois casos em que acabou se descontrolando.

Na relação com os funcionários da pasta, Sturm também teve problemas. A reportagem da CBN contou que no auge das confusões com ele, três funcionários da Secretaria tiveram problemas de saúde por stress e duas mulheres foram demitidas sem que o supervisor da área fosse avisado. Mesmo assim, ele disse que tinha até apelido carinhoso: “Papi”.

O Secretário de Cultura foi gravado uma quinta vez, em novembro, chantageando o Instituto Odeon, administrador do Theatro Municipal. Ele disse que só aprovaria a prestação de contas se o instituto decidisse cancelar a parceria.

O caso também virou investigação no Ministério Público. Em audiência na Comissão de Cultura na Câmara, Sturm negou a chantagem e disse que obedeceu as regras para romper o contrato.

Investigado pela Controladoria Geral do Município e pelo Ministério Público, André Sturm foi um dos poucos remanescentes da gestão Doria que atravessou incólume os primeiros meses da gestão Covas. Nem mesmo membros do alto escalão da Prefeitura entendiam a permanência dele no cargo.

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