23/02/2019

A convite do Sesc São Paulo (Serviço Social do Comércio), a Agência Mural de Jornalismo das Periferias produziu uma reportagem especial sobre iniciativas culturais das periferias para a edição de janeiro de 2019 da Revista E.

As histórias de cinco coletivos culturais das cinco regiões paulistanas foram contadas pelos correspondentes Cleber Arruda (Brasilândia), Andressa Alves (Ipiranga), Ira Romão (Perus),  Lucas Veloso (Guaianases), Rômulo Cabrera (Suzano) e Thiago Ferreira (Grajaú).

Sobre Ermelino Matarazzo saiu assim:

¿Levantou, chuta!” Esse é um dos lemas da Ocupação Cultural, que funciona em um prédio abandonado pelo poder público, em Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo. A expressão surgiu para mostrar que todos são responsáveis pelo local e que, quando se tem uma ideia de melhoria, o autor toma a frente para realizá-la.

O espaço também é conhecido pelo nome Mateus Santos, homenagem feita a um morador que deu aulas de pintura para idosos nos anos 1980, na mesma praça onde os artistas iniciaram as manifestações no bairro. Na época, ele escreveu ao prefeito da cidade dizendo que começou a oficina com dez alunos e terminou com 68. Santos também mostrou o desejo de um espaço adequado às aulas. “Ermelino já tem cultura, só não tem casa”, pontuou em carta escrita a punho.

Hoje, a Ocupação Cultural reúne 62 coletivos que trabalham independentes entre si e com diversas linguagens, como teatro, dança do ventre e fotografia. Com a realização das atividades, o principal objetivo é estabelecer uma Casa de Cultura na região, onde vivem mais de 200 mil pessoas.

 

Nos inspiramos em nós mesmos

Gil Douglas

 

Para manter o funcionamento, os membros dos coletivos envolvidos se organizam por meio da gestão horizontal, com o uso de escalas para limpeza e conservação do prédio de dois andares e dez salas. Além disso, a cada duas semanas, uma reunião é feita para decidir os rumos das atividades e planejar estratégias de promoção da cultura. “Aqui, na quebrada, além de pensar numa luta em que acredita, você tem que pensar na sua sobrevivência”, define o articulador cultural Gil Douglas.

Sem financiamento público ou privado, para a organização pagar a internet e o caminhão-pipa que abastece o lugar com água limpa, são vendidas camisas e bonés da ocupação. Um brechó de roupas, além de uma plataforma de doação recorrente, também são formas de financiar o espaço e as atividades realizadas ali.

A divulgação é feita por meio das redes sociais, como uma lista de transmissão que é enviada pelo WhatsApp. Hoje, cerca de 500 pessoas recebem a programação diária com a agenda das atividades. Todo mês, em média, três mil pessoas participam da ocupação. “Nos inspiramos em nós mesmos. No começo de tudo, o desejo maior era de conseguir um ponto de luz na praça onde aconteciam as atividades, e conseguimos. Na época, aquele era o nosso sonho”, relembra Douglas. “Hoje, o desejo é estabelecer esse lugar como um ponto de cultura legítimo, o que já é reconhecido pelo bairro”, completa.

Assista:

 

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