23/06/2013

Fixando ponto no canteiro central da Avenida Paulista na noite desta quinta-feira (20), José dos Santos, de 51 anos, vendia maçã do amor a R$ 3. Ele explicava que o preço estabelecido não era aleatório. “Esse povo brigou por causa dos R$ 3,20. Se eu cobrar caro, vão reclamar”, justificou ao G1 o comerciante informal, diante da banca montada na altura do número 900. O “R$ 3,20” a que ele se refere é justamente o valor da passagem de ônibus e Metrô que resultou nos recentes protestos que têm ocorrido na capital.

“Geralmente, cobro mais ou menos R$ 5”, prosseguiu Santos, revezando-se entre o doce e um carrinho de pipoca – ele tem a ajuda da filha e da esposa. Vindo de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, o vendedor mantinha na Paulista um segundo carrinho de pipoca. “Lá, ficam minha outra filha e meu genro.”

Cerca de 1,5 km distante dali, também na Paulista, havia pelo menos outros três “concorrentes” de José dos Santos. Uma barraca de milho (e derivados), uma de cachorro-quente e outra de pipoca compunham uma espécie de “praça de alimentação” na área da saída da estação Consolação do metrô. No meio da Paulista, havia ainda um recipiente térmico com água (R$ 3 a garrafa pequena), refrigerante (R$ 5 a lata) e cerveja (três marcas, com preços entre R$ 3 e R$ 6). A vendedora agora era Aline Correia, de 28 anos.

Ela conta que costuma trabalhar “em estádio de futebol e balada”. Ultimamente, no entanto, ampliou a área de atuação na direção os protestos. Com as duas bochechas pintadas de verde e amarelo, à moda dos “caras-pintadas”, Aline fazia questão de dizer que seu interesse pelas manifestações não se resume ao aspecto comercial. “Estou protestando! Queremos um Brasil melhor!”, afirmou, antes de voltar a oferecer aos manifestantes: “Cerveja, cerveja!”.

Para ela, o dia mais rentável foi segunda-feira (17). “Vendi R$ 1,5 mil em duas horas, estava perto da Gazeta”, lembrou, citando justamente o espaço que nesta noite era ocupado por José dos Santos. Ele, por sua vez, afirmou ao G1 que esta foi sua “estreia” nos protestos da Paulista, pois costuma trabalhar “em festas de igreja”, geralmente no Bixiga, bairro da região central.

O “clima de quermesse” se repetiu em outros pontos da mesma avenida, sobretudo nos momentos de calmaria. Na região do Masp, ao ver a barraca de maçã do amor, as de pipoca e as de milho, um manifestante comentou com amigos: “Para virar festa junina, só falta correio elegante”.

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